Edição nº2534 13/07 Ver edições anteriores

O Brasil gosta de brincar com fogo

Imagine o seguinte cenário: condenado à prisão pela segunda instância por dois votos a um, Lula recorre, vai para a eleição sustentado apenas em uma liminar e é eleito presidente com 51% dos votos, depois de um segundo turno daqueles que, se espremer, sai sangue. Todos, então, ficam no aguardo da última palavra do STF sobre a legalidade da posse do petista. Bem, nesse caso, não importa muito para qual lado o Supremo penderá. O que interessa, daí a razão de ser desse artigo, é que, em qualquer hipótese, testemunharemos um País conflagrado como há muito não víamos. Os levantes de 2013, 2015 e 2016 mais parecerão convescotes de condomínio para eleição de síndico perto da convulsão social a ser desencadeada. Diante do aperitivo servido em 2017 — Brasil rachado ao meio quanto a aspectos morais, éticos e culturais, Três Poderes desmoralizados e até a imprensa contestada —, o vaticínio é óbvio: o caos se estabelecerá nas ruas, Lula empossado ou não. Parafraseando Nelson Rodrigues, vivos sairão de suas casas, mortos de suas tumbas para defender ideologias e desfraldar suas bandeiras. Some-se à barbárie, vivandeiras alvoroçadas e granadeiros extravagantes… e, pronto, chegaremos à composição mais pura da nitroglicerina.

O Brasil, definitivamente, é um País que gosta de brincar com fogo. Desde o golpe contra a monarquia até 1964. Nada, cabe lembrar, surgiu a partir de um big bang. Paulatinamente, foram criadas condições, clima e ambiente, até ser engrossado o caldo que levaria à ruptura. Portanto, não é necessário praticar pilates mental para concluir onde podemos parar em 2018, se responsabilidade política faltar aos atores ainda capazes de mudar o rumo dos ventos. Somos responsáveis por aquilo que fazemos, pelo que não fazemos e pelo que impedimos de ser feito, dizia o filósofo e Nobel de Literatura, Albert Camus. Na semana passada, Luiz Inácio falou e avisou: para conseguir imprimir seu nome na cédula eleitoral, em 2018, brigará até as últimas conseqüências. Para debelar o terremoto, basta evitar a excrescência jurídica. É um risco institucional de proporções gravíssimas permitir que Lula vá para a eleição sub judice, com asterisco na chapa de candidato. Para o bem ou para o mal, é preciso resolver o imbróglio. E o quanto antes. O TRF-4, ao decidir anunciar o veredicto do petista no dia 24 de janeiro, cumpriu sua parte. Impôs uma derrota a Lula e ao PT, que acalentavam o sonho de arrastar o julgamento para além do prazo limite de registro das candidaturas. O problema é o que pode vir depois. Se deixarem.

O TRF-4, ao marcar o julgamento do petista para 24 de janeiro,
cumpre sua parte. O problema é o que pode vir depois. Se deixarem


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