A semana

O Brasil deve ouvir o novo ministro da Suprema Corte

Crédito:  AFP Photo / Saul Loeb

ALINHADOS Brett Kavanaugh com sua família ao lado de Donald Trump: o juiz conservador serve pessoalmente refeições a moradores de rua e não pleiteia auxílio-moradia (Crédito: AFP Photo / Saul Loeb)

1 First St NE, Washington, DC, 20543. Esse é um dos endereços mais respeitados dos EUA: é nele que funciona a Suprema Corte do país (instituída em setembro de 1789) e integrada atualmente por cinco juízes conservadores e quatro liberais. Desde o mês passado há uma vaga entre os primeiros, aberta por Anthony Kennedy, que agora, aos 81 anos, se aposenta. Na segunda-feira 9, o presidente Donald Trump indicou quem ele quer ver sentado na cadeira de Kennedy: o ultraconservador e católico fervoroso Brett Kavanaugh (serve pessoalmente refeições a moradores de rua e não pleiteia auxílio-moradia). Trump, que em 2017 já conseguira indicar Neil Gorsuch, consolida assim a marca que deixará impressa na Corte por muitas e muitas décadas: a do conservadorismo. Ao contrário do Brasil, onde ministros do STF têm de se aposentar aos 75 anos, lá o cargo é vitalício. Ocorre, porém, que os juízes mais idosos estão entre os liberais (Stephen Breyer, 79 anos, e Ruth Ginsburg, 85). Ou seja: cansados, eles devem ser os próximos a deixar o tribunal. E se o agora escolhido por Trump tem 53 anos, Gorsuch é ainda três anos mais novo. Para as eventuais vagas de Ruth e Breyer, é claro que o presidente indicará juízes alinhados com seu modo de pensar. Kavanaugh terá de ser referendado pelo Senado, onde Trump tem maioria.O que mudará? Kennedy, embora conservador, em questões dos direitos civis votava junto aos liberais. Kavanaugh votará ao contrário. Haverá, fatalmente, retrocesso. Existe, no entanto, um ponto importante em sua primeira fala: “magistrado não pode legislar”. Seria bom se alguns juízes brasileiros seguissem o exemplo.

UNIÃO EUROPEIA
Theresa May vai cair?

PURO SONHO A primeira-ministra Theresa May queria um “divórcio amigável” da UE (Crédito: AFP Photo / Pool / Eric Lalmand)

A primeira-ministra da Inglaterra, Theresa May, tinha o plano de fazer com que seu país se separasse da União Europeia de forma lenta e amigável. Pura fantasia. Na semana passada, ficou evidente que o seu próprio Partido Conservador está derretendo em função do Brexit. Duas alas brigam: uma quer, digamos, um divórcio amigável; a outra parte insiste em jogar duro. O que está em pauta é o livre-comércio e a independência total diante de Bruxelas. May acabou de levar um golpe que põe em risco a sua sobrevivência política: deixaram o governo dois dos principais ministros, ambos radicais – o chanceler Boris Johnson e o próprio encarregado das negociações do Brexit, David Davis. As divergências estavam no ambiente doméstico com o intuito de não arruinar de vez as relações econômicas do Reino Unido. As renúncias de Johnson e Davis escancararam a cisão para todo o mundo.

SOCIEDADE
Uma região do Rio de Janeiro pior que a Síria

Pesquisa da UFRJ: a Síria está em guerra, e lá a taxa de desemprego é de 30,6%. No Haiti, o índice de desempregados bate na casa dos 34%. Na maior cidade-dormitório do Rio de Janeiro, que é São Gonçalo, esse indicador chega a 34,7%. Ou seja: a região de São Gonçalo se encontra em pior situação se comparada a um país conflagrado ou se cotejada a um país que passou por violentas tragédias naturais.

EXPOSIÇÃO
O fúnebre tribunal de Adolf Hitler

Divulgação

O ditador nazista Adolf Hitler instituiu na Alemanha, durante a II Guerra Mundial, um “tribunal do regime” (“Volksgerichtshof, que significa “tribunal popular”). Foram condenados à morte pelo menos 5,2 mil pessoas – todas se opunham ao holocausto. Entre 1934 e 1945, nele atuaram 577 juízes, e muitos seguiram carreira normal no pós-guerra. Agora, pela primeira vez, fotos, documentos e objetos desse tribunal estão expostos em Berlim. É um alerta para países europeus que retomam as políticas nacionalistas de extrema direita. Helmut Schmidt, que foi juiz no tribunal da morte, tornou-se chanceler da Alemanha nos anos 1970.

Rauchwetter

MÚSICA
60 anos de bossa nova

Divulgação

Para os jovens é necessária a explicação: compacto duplo era um disco de acetato, com duas músicas gravadas, uma em cada lado. Pois bem, na terça-feira 10 comemoraram-se seis décadas que, num suporte desses, ocorreu a maior revolução da música brasileira: a gravação, por João Gilberto (foto), da composição “Chega de Saudade”, de autoria de Vinicius de Moraes e Tom Jobim. O ritmo e a batida do violão de João deixaram o País e o mundo maravilhados. Estava criada a bossa nova. Na outra face do compacto, João gravou “Bim-Bom”, composta por ele próprio. Clima da época: otimismo com Juscelino Kubitschek na Presidência do País; alegria com a conquista do título da Copa do Mundo, na Suécia.