Especial 40 anos

O Brasil chora a morte de Senna

Reverenciado em todo o mundo por sua performance nas pistas de corrida, o piloto se tornou um exemplo de determinação e superação de limites

Crédito: foto: norio koike/ase

COMOÇÃO - Cortejo com o corpo do piloto levou 1 milhão de pessoas às ruas de São Paulo (Crédito: foto: norio koike/ase)


Brasil/Política 1994

São Paulo, a cidade que nunca para, parou no dia 4 de maio de 1994. Três dias antes, o piloto Ayrton Senna, então no auge da carreira, aos 34 anos de idade, fora vítima de um acidente fatal no Grande Prêmio de Ímola, na Itália. O choque contra o muro na curva Tamburello — e a agonia de Senna sendo retirado inerte de seu carro e levado de helicóptero para o hospital — foram transmitidos ao vivo para todo o mundo. Recebido com honras de chefe de Estado na capital paulista, onde nasceu, Senna teve um funeral que mobilizou quase um milhão de pessoas. Todos esperavam pela despedida, que contou com os pilotos que corriam a seu lado na Fórmula 1. Inclusive seu maior rival, o francês Alain Prost. “O legado do Senna é uma lição de vida”, diz Pietro Fittipaldi, 20 anos, neto do bicampeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi e também corredor. “É um exemplo de superação, que se aplica a todas as áreas da nossa vida.”

O melhor da história

Pietro nasceu dois anos depois da morte de Senna, em 1996. Porém, desde cedo, ouviu muitas histórias sobre o piloto. A maioria foi contada por seu avô, Emerson, que mantém em casa uma foto ao lado do tricampeão mundial de F1. “O Senna mostrou a todos que é sempre possível ir melhor e além com muito trabalho, dedicação e foco”, afirma. “Além disso, é um exemplo por ter mostrado que não basta ser campeão, ficar famoso e ganhar dinheiro: é preciso em algum momento devolver para a sociedade, como ele fez com o Instituto Ayrton Senna.” Criado com uma dotação inicial do piloto, a entidade trabalha para dar oportunidades a crianças e jovens por meio da educação. Quase 2 milhões de alunos são atendidos pelo instituto todos os anos.

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Senna correu pelas escuderias Toleman, Lotus, McLaren e Williams. Em dez anos de F1, conquistou 41 vitórias, fez 80 pódios e 65 pole positions. Depois de sua morte, tornou-se um mito, reverenciado em todo o mundo, até mesmo por quem não acompanhava o esporte. Em dezembro de 2009, a revista inglesa “Autosport” fez uma enquete com 217 pilotos que o elegeram o melhor de todos os tempos. Em 2012, o site da BBC reuniu jornalistas esportivos para escolher o o grande corredor de F1 da história — e Senna venceu novamente. “Provavelmente nenhum piloto da Fórmula 1 se dedicou mais ao esporte. Ele era uma força da natureza, uma combinação incrível de muito talento e, em alguns casos, uma determinação espantosa”, diz o texto no site da BBC. “Senna parecia um herói romântico, com carisma para acalmar qualquer ambiente, a eloquência de um poeta e a espiritualidade com que milhões sentiam se identificar.”

“Ele mostrou que não basta ser campeão, ficar famoso e ganhar dinheiro. É preciso devolver para a sociedade” Pietro Fittipaldi, 20 anos, piloto
“Ele mostrou que não basta ser campeão, ficar famoso e ganhar dinheiro. É preciso devolver para a sociedade” Pietro Fittipaldi, 20 anos, piloto


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