O Boris das Américas

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)

O presidente do Brasil está dando uma aula de política em tempo de Crise para Donald Trump. Doente, de quarentena, com o tempo da campanha eleitoral reduzido a metade, o presidente americano mais parece um político amador. Bolsonaro, esse, é o Boris das Américas.

Quando se joga para o grande poder as medidas devem ser as mais dramáticas. Ser líder global no tempo de uma pandemia sem vacina não é compatível com eleições. Bolsonaro e Boris Johnson que pegaram a doença fora do quadro eleitoral não vão ter esse problema.

Depois de ter passado muito tempo no isolamento copiando as bobagens de Trump, aplaudindo lixívias e cloroquinas, Jair Bolsonaro mostra que em política real ser um destemido capitão evangélico no Planalto é mais eficaz que ser um semi-hipocondríaco pele vermelha na Casa Branca.

Trump hoje tem um grave problema para resolver. Enquanto ele vai ficar fechado em casa junto com a primeira dama e grande parte do seu stuff, Joe Biden vai continuar trabalhando, ganhando terreno e aumentando suas chances de ganhar.

Mas o problema não é só ficar quieto enquanto o adversário corre. Ao ficar cumprindo as regras da saúde pública que tanto contestou, Donald também dá um forte argumento para a oposição. Ele tem de admitir que afinal a Covid não é uma brincadeirinha.

Mas tem mais. Bolsonaro é jovem e magro e Trump velho e gordo. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EEUU fala que os doentes entre os 65 e 74 anos — 74 anos é exatamente a idade de Donald Trump — têm cinco vezes mais risco de serem hospitalizados e 90 vezes mais chance de morrer, quando comprado com jovens entre os 18 e os 29 anos. Mas não é só a idade, o peso também não ajuda. 110 quilos de Trump fazem dele, técnica e clinicamente obeso, o que triplica o risco de hospitalização.

Embora as notícias falem de sintomas suaves, as estatísticas sobre a evolução da doença mostram que os piores dias, para um homem da sua idade, são entre o quinto e o décimo e, mesmo que não aconteça nada — até lá o todo o mundo vai ficar num ansioso aguardo pelo que pode acontecer. Como um nível de antagonismo entre os dois candidatos no vermelho qualquer fragilidade de um vai ser explorada até à exaustão.

Se a infeção do Casal Trump não fizer parte de uma nova conspiração russa para manipular as eleições americanas esta notícia não podia ser pior.

Pegar Covid no meio da mais eleição mais importante do planeta é bastante ridículo. É coisa própria de roteiro de série B. Nem parece a terra de Hollywood.

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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