Em uma atitude sem precedentes na história política e diplomática da Idade Contemporânea, a contar do início da Revolução Francesa em 1789, o presidente dos EUA, Joe Biden, surpreendeu o mundo na segunda-feira 20 ao visitar inesperadamente um país — no caso a Ucrânia, a quatro dias que se completasse um ano da invasão russa. Devido ao sigilo da operação, a Casa Branca divulgou à imprensa uma agenda presidencial fictícia e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, só foi avisado da viagem pouco antes de ela ocorrer. Acompanhado de alguns assessores, uma dupla de jornalistas e pequena equipe médica, Biden fez dois voos noturnos: dos EUA à Alemanha, e daí à Polônia. De Varsóvia viajou de trem, também à noite, até Kiev, onde foi recebido pelo chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky. Sob o som de sirenes de prevenção contra ataques aéreos, Biden passeou com Zelensky e comprometeu-se com o envio de auxílio de meio bilhão de dólares. O presidente norte-
americano retornou à Polônia, reuniu-se com líderes da Otan e reiterou o apoio dos EUA ao falar sobre o primeiro ano da guerra, completado na sextafeira 24. Um enraivecido Putin, discursando na Assembleia Federal Russa, anunciou que está abandonando o tratado de controle de armas nucleares.

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RÚSSIA Putin: anúncio de testes nucleares (Crédito:Divulgação)

DITADURA MILITAR
Itália pede ao Brasil extradição de torturador

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IMPUNIDADE Antonio Narbondo: atuação repressiva no Cone Sul (Crédito:Divulgação)

O governo italiano reiterou, na semana passada, às autoridades do Brasil a solicitação de extradição do militar reformado Antonio Narbondo, que tem cidadania uruguaia e brasileira. Desde 2001, ele está condenado à prisão perpétua na Itália por sequestro, tortura e desaparecimento de italianos que se opuseram às ditaduras militares nos anos 1970 e 1980 em países do Cone Sul. A nossa Constituição não permite a extradição de brasileiros, mas o ministro da Justiça, Flávio Dino, acertadamente afirmou que condenados no exterior, sem possibilidade de extradição, podem, sim, cumprir pena no País – que seria no máximo de quarenta anos, já que aqui não há prisão perpétua.

MISTÉRIO
Se vocês fossem os pais de Madeleine, desprezariam essa hipótese?

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PASSADO Madeleine: em 2007, com três anos PRESENTE Julia: janela de dois anos na idade (Crédito:Divulgação)

Julia Faustyno é uma jovem alemã que mora na Polônia e diz ter 21 anos de idade. Viralizou nas redes sociais em todo o mundo (cerca de um milhão de seguidores na quinta-feira 23) ao levantar uma hipótese bombástica. Fala que pode ser ela, agora adulta e com outro nome, a garotinha inglesa Madeleine McCann que foi raptada com três anos em um resort na Praia da Luz, em Portugal, em 2007. Julia, que afirma não se recordar de sua infância devido à amnésia pós-traumática, pediu aos pais de Madeleine que a submetam a teste comparativo de DNA – eles chamam Kate e Gerry e, após certa relutância, concordaram com a realização do exame, pois jamais descartaram nem descartam qualquer chance, por mais improvável e confusa que seja, de reencontrar a filha. A polícia portuguesa e da Inglaterra não possuem pistas do crime. Julia se contradiz sobre o apagão de sua memória quando sugere que um homem alemão, que estaria sendo investigado por pedofilia, teria sido o seu raptor. Como ela consegue lembrar-se desse trauma maior? Explica que já se inteirou que Madeleine viveu na cidade polonesa de Wroclaw, assim como ela. A mãe de Julia (cogita-se a possibilidade de que não seja mãe biológica) declarou que sua filha necessita de ajuda psiquiátrica. Julia pode estar enferma ou pode estar falando a verdade. Há um descompasso de dois anos entre a idade de Julia e a que Madeleine tem hoje, caso esteja viva. Mas é compreensível que os seus pais não desperdicem nenhuma hipótese de localização da filha, por mais implausível que seja. E é de se estranhar o fato de a família de Julia, ao contrário dos McCann, se recusar a fazer teste de DNA.

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DOR Kate e Gerry: há 16 anos à espera de respostas das polícias de Portugal, da Inglaterra e Alemanha (Crédito:Divulgação)