A semana

O avanço da extrema direita na América Latina

Crédito: PABLO BLAZQUEZ DOMINGUEZ

RISCO E MEDO Santiago Abascal, líder do Vox, discursando no Parlamento da Espanha: planos de expansão pela Europa (Crédito: PABLO BLAZQUEZ DOMINGUEZ)

Do fanatismo político decorrem, inevitavelmente, o oportunismo e a paranoia. Seguidores e ideólogos da extrema direita são portadores dessas duas características – a primeira vem do caráter precário, a segunda é doença psiquiátrica mesmo. Hoje, na Espanha, o comportamento emblemático disso recai em Santiago Abascal, líder do partido Vox. Os seus integrantes – alguns por serem oportunistas, outros paranoicos, conforme foi dito – lançaram a Carta de Madri, um anacrônico manifesto a alertar para o “avanço do comunismo na América Latina” – avanço que só eles veem. Para se ter uma idéia da loucura, eles chamam a Ibero-América de “Ibero-esfera”. A Carta de Madri contou em tempo recorde com cerca de oito mil adesões, e Abascal tem planos de fazer o seu movimento uma organização internacional que levaria a denominação de Foro de Madri – ainda que a coisa não chegue a essa dimensão, sem dúvida ele se fortaleceria consideravelmente, uma vez que cresce em todo o continente europeu os grupos neonazistas.

Perigosos personagens

EDUARDO: gosto pelo radicalismo/ KEIKO: ela não poderia faltar (Crédito:GABRIELA BILÓ;ERNESTO BENAVIDES)

O Vox é composto por evangélicos e católicos fundamentalistas, defensores de golpes de Estado e ditaduras militares, e também neoconservadores. O partido recebe o apoio de fora da Espanha. Exemplos: a ex-candidata a presidente do Peru, Keiko Fujimori, do líder do Partido Republicano do Chile, José Antonio Kast (que defende a volta de uma ditadura em seu país no estilo Augusto Pinochet), e de Eduardo Bolsonaro, filho do totalitário presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

SOCIEDADE
The Rolling Stones e o politicamente correto

BORIS HORVAT

O politicamente correto chegou à melhor e mais irreverente banda de rock: The Rolling Stones. Mick Jagger supera Keith Richards (foto) em visão de mercado e, para ele, não importa o quão consagrado sejam os seus nomes em todo o mundo – é preciso sempre acompanhar os novos rumos. Assim, Jagger determinou a retirada da música “Brown Sugar” do repertório. Composta em 1971, ela aborda os estupros de negras escravizadas por brancos no sul dos EUA. Ela já não foi cantada na turnê da banda em território norte-americano. Keith e Jagger receberam os parabéns do jornal The Times, de Londres. Não apenas nos EUA mas também em outros países, ainda que o público peça, “Brown Sugar” não será apresentada.

HISTÓRIA
Vereadores de Nova York “expulsam” Thomas Jefferson

PASSADO E PRESENTE Estátua de Thomas Jefferson na Câmara de Nova York: dono de seiscentos escravos (Crédito: Carlo Allegri )

Faz mais de um século que a estátua de Thomas Jefferson, um dos fundadores dos EUA e seu terceiro presidente, está instalada na sala da diretoria da Câmara Municipal de Nova York. Na semana passada, uma comissão especial de vereadores aprovou por unanimidade a sua remoção, proposta por políticos democratas. Motivo: o principal autor da Declaração da Independência, em 1776, foi proprietário de seiscentos escravos – dentre eles viveu escravizada, por determinada época, a preta Sally Hemings, com quem Jefferson teve seis filhos. A estátua será transferida para a Sociedade Histórica de Nova York.

ECONOMIA
A criptomoeda Maradona

CAMPO FINANCEIRO Maradona: será craque no dinheiro digital? (Crédito:DivulgaçãoDavid Gray)

O jogador Diego Maradona, um dos maiores craques e ídolos da história do futebol, faria 61 anos de idade no dia 30 de outubro (ele morreu em novembro do ano passado). Para homenageá-lo, será lançada na Argentina a criptomoeda denominada “Maradolar”, com o intuito inicial de atrair a economia informal para o universo criptográfico — e não há como negar que o seu nome ajuda a cumprir perfeitamente bem esse objetivo. O primeiro lote terá dez mil unidades não precificadas e não disponíveis nos sites de câmbio. O valor da criptomoeda será ditado, naturalmente, pelo mercado, a partir da elementar lei da oferta e demanda.

LIVROS
Respostas sobre o autoritarismo no Brasil

Diante do governo de Jair Bolsonaro, uma pergunta ecoa na mente daqueles que defendem a democracia: como o País chegou a esse lugar tão autoritário? O lançamento do livro “Fragmentos do tempo presente” (Aquilombô), da doutora em Ciências da Comunicação Rosane Borges, traz à luz artigos sobre o tema, com a finalidade de contribuir para o debate público e civilizatório — e, também, responder por que Bolsonaro conseguiu o mais alto mandato da Nação.

37% É o índice acumulado da inflação na Argentina ao longo de 2021 — e um dos maiores em todo o mundo