O Ano do Cavalo na China: uma longa história com os humanos

O Ano do Cavalo na China: uma longa história com os humanos

"ODia 17 de fevereiro marca o início do novo ano chinês. Nelson Mandela e Jackie Chan são alguma das personalidades com o signo equino.O Ano Novo Chinês começa nesta terça-feira, 17 de fevereiro. Também conhecido como Festival da Primavera ou Ano Novo Lunar, o festival que marca a chegada da primavera é amplamente celebrado na China e em vários países do Leste Asiático.

Tradicionalmente, as famílias se reúnem durante esse período para compartilhar grandes refeições, enquanto as crianças costumam receber dinheiro em envelopes vermelhos conhecidos como "hong bao".

O início do Ano Novo Lunar também marca a rotação do zodíaco chinês, que segue um ciclo de 12 anos, cada um representado por um animal.

Existem várias histórias que explicam o horóscopo. Uma lenda conta que o Imperador de Jade – uma importante divindade chinesa – convidou todos os animais para uma "grande corrida", e os 12 primeiros colocados ganhariam o favor dele.

Os 12 que conseguiram, por ordem de chegada, foram: o rato, o boi, o tigre, o coelho, o dragão, a cobra, o cavalo, a cabra, o macaco, o galo, o cão e o porco.

O ano do Cavalo de Fogo

Se você nasceu nos anos de 1918, 1930, 1942, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002, 2014 ou 2026, o seu signo chinês é o cavalo.

Cada ano animal está ainda associado a um dos cinco elementos – madeira, fogo, terra, metal ou água. Assim, mais precisamente, 2026 é o ano do Cavalo de Fogo.

Na cultura tradicional chinesa, o cavalo simboliza força, velocidade, coragem, lealdade, liberdade e talento. Segundo o horóscopo chinês, as pessoas nascidas sob esse signo são corajosas, firmes, íntegras, fiéis e independentes.

Entre as personalidades famosas que têm o signo do cavalo no horóscopo chinês, estão o primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela; o astro chinês de filmes de kung-fu Jackie Chan; os cineastas Ang Lee e Martin Scorsese; a atriz de Avatar Zoe Saldana; o beatle Paul McCartney; e o famoso chef britânico Gordon Ramsay.

E também o primeiro homem a pisar na Lua, o americano Neil Armstrong, que, ao colocar os pés na superfície lunar, declarou: "Esse é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade".

Humanos e cavalos: um vínculo antigo

Os cavalos fazem parte da sociedade humana há muito tempo. Os animais puxavam carruagens no antigo Egito, eram famosos nos mitos gregos e corriam pelo Circo Máximo de Roma no século VI a.C.

Eles também eram muito valorizados na China antiga. O mausoléu do primeiro imperador do país, Qin Shi Huang, levava a representação de um "exército da vida após a morte", que incluía centenas de cavalos de terracota em tamanho real, posicionados em formação, ao lado de carruagens e cavalaria.

De acordo com as pesquisas arqueológicas, os seres humanos começaram a domesticar cavalos há cerca de 6 mil anos na estepe ocidental da Eurásia – na ampla faixa que se estende da Ucrânia moderna ao sudoeste da Rússia e ao norte do Cazaquistão. À medida que os rebanhos domesticados se espalhavam, as comunidades os capturavam e cruzavam éguas selvagens locais com eles, contribuindo para a ampla diversidade da espécie hoje em dia.

Ainda hoje, os cavaleiros cazaques e mongóis valorizam os cavalos como meio de transporte e subsistência, e como símbolos de sua herança nômade, papel que os animais desempenham desde os dias em que Gengis Khan atravessava continentes.

Na Península Arábica, os criadores beduínos preservaram as linhagens equinas mais valiosas por meio da tradição oral de manutenção de registros, em vez de registros escritos, transmitindo as genealogias de memória.

Durante milênios, os cavalos foram o meio de transporte mais rápido e confiável da humanidade. Eles transportaram exércitos por continentes, puxaram arados, carroças e levavam correspondências, conectando rotas comerciais distantes e impulsionando a expansão de impérios muito antes de os motores a vapor ou a gasolina remodelarem a mobilidade global.

Eles foram, em muitos aspectos, os primeiros veículos do planeta: no mundo automotivo, a potência de um motor é medida, até hoje, em quantidade de "cavalos".

Símbolo de liberdade e velocidade

Quase todas as raças de cavalos têm uma história por trás, e o mustangue e o iacutiano não são exceção.

Os cavalos estavam extintos na América do Norte desde o fim da última Era Glacial. Assim, quando as expedições espanholas os reintroduziram no início do século 16, os animais que fugiram ou foram libertados dos rebanhos coloniais tornaram-se os antepassados dos mustangues atuais. Até mesmo o nome "mustangue" vem do espanhol "mesteño", que significa cavalo ou animal sem dono.

Quando viviam soltos nas pradarias da América do Norte, esses cavalos formavam manadas que vagavam livremente e que as nações indígenas rapidamente adotaram, criaram e comercializaram, transformando a mobilidade, a caça, o comércio e a guerra.

A velocidade e a liberdade do cavalo inspiraram mais tarde o Ford Mustang, um dos carros mais emblemáticos do século 20.

No norte da Sibéria, os cavalos iacutianos são uma espécie capaz de se adaptar a alguns dos invernos mais rigorosos do planeta. A pelagem densa e a constituição robusta os ajudam a sobreviver a temperaturas abaixo de -60 °C.

Os iacutianos também possuem capacidade de reduzir a o metabolismo e a temperatura corporal central, entrando em um estado de "hibernação em pé" que permite a eles conservar energia mesmo acordados e ativos. Ao contrário dos animais hibernadores, esses equinos não entram em sono profundo; mas continuam pastando e se movimentando durante o inverno ártico.

Nenhum outro cavalo é conhecido por fazer isso, e os cientistas descrevem a rápida adaptação dos iacutianos como uma das mudanças evolutivas mais rápidas já registradas na espécie.

Cuidadores e treinadores

Nas últimas décadas, os cavalos assumiram novas funções que os colocam em uma relação ainda mais profunda com os seres humanos. A equoterapia, por exemplo, auxilia pessoas com transtorno pós-traumático, autismo, ansiedade e deficiência, utilizando-se da extraordinária sensibilidade do cavalo à linguagem corporal e às emoções humanas.

Essa mesma sensibilidade tornou os cavalos parceiros valiosos em treinamentos de liderança. Eles percebem os mínimos detalhes – quando alguém de repente fica tenso, segura um pouco forte demais ou dá um sinal que não combina com o resto do corpo – e respondem imediatamente. Nesses workshops, a disposição de um cavalo em acompanhar ou se afastar faz com que as pessoas reflitam sobre como lideram, escutam e estabelecem limites.