O ano do bota fora de Bolsonaro

Crédito: Divulgação

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Não há nada mais urgente, mais vital e decisivo para o futuro do País do que se ver livre daquele que é, indiscutivelmente, o pior governo que já passou por essas paragens em todos os tempos. A praga Bolsonaro tem que ter um fim ou o Brasil afunda de vez — em qualquer área, da Educação à Saúde e mesmo na da Economia. É devastador o efeito desse mandato e das ações do seu protagonista, ao longo de intermináveis quatro anos, na vida das pessoas. Por isso, aconselha-se cruzar os dedos pelo livramento. O capitão vai usar de toda sorte de artifícios e apelações para se segurar no cargo. Apeá-lo do poder exigirá o funcionamento pleno das instituições democráticas. Será um ano de cruentos combates, baixaria sem fim e encenações farsescas para iludir as massas. Milongueiro e fascista de carteirinha, mestre das artimanhas, Bolsonaro já começou a dar o tom da campanha ao se internar no hospital seis estrelas Vila Nova Star, de São Paulo, para tratar de um desconforto estomacal que buscou vincular ao episódio da facada de anos atrás. A espetacularização da internação teve direito a fotos do acamado, sondas e pose ao lado de médicos, como uma vítima dos próprios abusos. Ao final e ao cabo, o diagnóstico corriqueiro: um camarão mal mastigado fez mal ao “mito”. Após os dias de gandaia, dança de funk, passeios de jet ski e visitas a parque de diversões, por longas duas semanas de férias, comendo e bebendo sem limites, a farra cobrou seu preço. Cinicamente, o próprio mandatário achou por bem classificar como “maldade” a denominação de férias para os dias fruitivos nos quais se esbaldou como pôde em praias brasileiras. Seria trabalho pesado aquele show de aparições curtindo adoidado enquanto milhares de pessoas enfrentavam mais uma tragédia climática na região baiana? Modo estranho de encarar o batente. Não é de hoje, Jair Messias não sai disso. Outro dia restringiu as tatuagens para quem deseja ingressar na Marinha, aprovou isenção de IPI para a compra de jet ski e barcos a vela, e já deliberou, no passado, sobre o fim dos radares de estrada, obrigatoriedade de cadeirinha para criança nos carros e a pontuação de multas nas carteiras de motorista. Ele “governa” nas miudezas e em prol dos interesses que lhe convém. Não espere grandes e complexas mobilizações de sua parte para combater pandemias, crise econômica ou eventos catastróficos que afligem o dia a dia dos brasileiros. Ele não lidera nesse campo. É, na verdade, uma nulidade. Quando não joga contra. Há quase um mês vem protelando a vacinação infantil em meio a um índice de mais de duas mil crianças mortas por Covid ­— número que ele considerou não relevante para justificar a “pressa” na imunização. A travessia de tormentos – do golpismo tentado em Sete de Setembro à exaltação da ditadura, pregando o fechamento do Congresso e do STF – demonstra o quão tortuosa tem sido a vida por aqui enquanto ele habita o Planalto. A reconstrução será custosa. O caixa público está estourado por pedalagens ilegais, com a prática sendo impunemente ignorada. A erosão das liberdades individuais é notada, inclusive, no esvaziamento das agências reguladoras do Meio Ambiente, do controle financeiro e da preservação indígena. Na semana passada, a Funai foi desautorizada pelo Ministério da Justiça a desenvolver atividades de proteção às etinias em territórios isolados, deixando esses povos entregues à própria sorte. Como pode? Bolsonaro, em sua tática do desvario, não quer que nada funcione dentro do previsto. Coaf não deve fiscalizar desvios financeiros para não incomodar as práticas dos filhos diletos. Bem como a Receita Federal, a Polícia e o Ministério Público têm que ser manietados nesse sentido. A arbitrariedade parece estar em vigor, insinua-se a cada medida e ameaça piorar. De uma forma geral, o discurso inflamado do presidente e seus rompantes autoritários mascaram a falta de aptidão para o cargo e a ausência de um programa minimamente aceitável de condução do País. No balanço geral, a lista de conquistas que deixa é deplorável. Nenhuma privatização avançou. As reformas administrativa, tributária e política ficaram no papel. A miséria e o desemprego aumentaram. Bem como a inflação, os juros e a desvalorização do real em níveis recordes. Não há nada que fique de pé como meramente louvável.

Escrachando de vez a sua falta de disposição para governar como estadista e a visão estreita do papel que exerce, ele debocha da vida alheia. Não expressa um mínimo de compaixão ou de comiseração pelas dificuldades da população. Pode passar fome, sofrer em enchentes, morrer “e daí”, como diz. “Vão ficar enchendo sempre meu saco, porra?” (sic), “não sou coveiro!”. Que espécie de ser humano tem esse tipo de comportamento que não um psicopata? E o capitão faz isso enquanto adota uma política paroquial — do tudo pelos amigos e familiares e nada aos demais. A ignorância rudimentar de quem beneficia as igrejinhas ideológicas e setoriais, as congênitas práticas de fake news, o binarismo idiota de quem enxerga adversários em quem não concorda com seus ditames, a gestão de um gabinete do ódio, a parolagem conivente ao lado de bandidos do Centrão, as aberrações contra as vacinas, as prevaricações e a exploração da crendice em salvadores da pátria em nome do desespero e da boa fé dos incautos dizem muito do obscurantismo e retrocesso sem precedentes que deitou raízes por aqui. Será esse tipo de chefe da Nação que melhor podemos ter? Esperemos que não. Restam agora pouco menos de 365 dias para uma eventual e desejada mudança. Que ela aconteça. Pelo bem de todos. Salvar a democracia projeta-se como um ponto chave nesse ano — ou o voto que você dará nas urnas lá adiante pode ser o último por um bom tempo, caso o capitão faça vingar seus planos de uma ditadura bananeira. Não se engane, mesmo desgastado, ele dobrará a aposta no radicalismo. O tormento e os descalabros precisam ter fim. Ele nem finge mais que governa. Como um Nero da nova era a incendiar cidades, vai acumulando destruição e ruínas onde mete a mão. E deixou o Brasil doente.


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