A semana

O anel que tu me deste era algema e me prendeu

Crédito: Pedro Teixeira

Existe anel de compromisso de namoro. Existe anel de compromisso de noivado e de casamento. Surgiu agora o anel de compromisso de corrupção, tem diamante e um detalhe especial: custa os olhos da cara. Assinam a criação de tal adereço o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, a sua mulher, Adriana Ancelmo, e o empreiteiro quebrado Fernando Cavendish. Os honestos, nas horas difíceis, dizem: “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Cabral, Adriana e Cavendish podem afirmar: em caso de desonestidade, “vão-se os anéis e o dono dos dedos vai para a cadeia”. Na semana passada, todo um besteirol se ouviu na Justiça do Rio de Janeiro, e o centro da balela foi o anel que firmou o compromisso de corrupção. Cavendish declarou que estava em Mônaco, ele mais Cabral mais a doutora Adriana, e era aniversário dela. Sérgio levou o amigo a uma joalheira e lhe disse: “compra esse anel para minha esposa”. Cavendish pagou R$ 840 mil mas alertou que teria contrapartida. Cabral anuiu.

O presente foi dado, Cavendish magoou: a doutora sequer disse obrigado. A contrapartida foi que a empreiteira Delta, de propriedade de Cavendish, participou da reforma do Maracanã para a Copa do Mundo, e em troca ele deu cinco por cento de propina ao ex-governador, descontando os R$ 840 mil porque, afinal de contas, nem ninguém nem o anel são de ferro. Cabral, também em depoimento, afirmou que o ex-amigo é “tão puxa-saco que deu o anel a Adriana por iniciativa própria”. Marido zeloso, ele declarou à Justiça que não gostou muito dessa história de sua mulher ganhar uma joia milionária, tanto que a devolveu. Na mesma hora? Não, não, foi ciuminho bobo. R$ 840 mil é bom lenitivo da alma. O anel chegou ao dedo da doutora em 2009 e foi devolvido somente em 2012. Eis a breve história da criação do anel de compromisso da corrupção.

R$ 654 milhões é quanto a Força Tarefa da Lava Jato devolveu à Petrobras na semana passada. O montante foi recuperado a partir de acordos de leniência e delação – e é a maior quantia já restituída no País em uma investigação criminal. Nos últimos dois anos a Petrobras recebeu de volta R$ 1,5 bilhão. A estimativa é que seja reembolsada em
R$ 10,8 bilhões.

Tráfico
Polícia prende Rogério 157. E faz dele um astro

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Com o auxílio das Forças Armadas, a polícia do Rio de Janeiro prendeu na quarta-feira 6 o traficante Rogério 157, que barbarizou a Rocinha disputando o lucro do tráfico com Antonio Bonfim, o Nem, que está preso. O lugar de Rogério é na cadeia mesmo, e ponto final. Agora, o absurdo: policiais fizeram muitas selfies com o bandido, deram a ele ares de personalidade e glamourizaram o crime. Bom seria poder festejar a paz na Rocinha para a gente de bem, mas isso é difícil: os tiroteios recomeçaram e o morro segue sob as ordens de um marginal – Nem, que estranhamente comanda tudo, mesmo trancafiado. Rogério, para se disfarçar, polira as unhas, cortara o cabelo no estilo asa delta e colocara resina nos dentes. Parece até que sabia que haveria selfie em breve.

Economia
Selic cai para 7%, menor taxa da história

O Banco Central reduziu na semana passada, e pela décima vez consecutiva, a taxa Selic. Caiu mais 0,50%, está em 7% ao ano e esse é o seu menor patamar desde que se tornou referência na política monetária, em 1996. O BC sinaliza com novo corte: 0,25%, em fevereiro. De outubro de 2016 para cá, a queda corresponde a 7,25%. O ritmo de diminuição deve desacelerar agora para não comprometer o controle da inflação.

Forças Armadas
Bom negócio para o País

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A Marinha brasileira comprará da Inglaterra o porta-helicópteros e navio de combate anfíbio HMS Ocean-L (foto). Tem 203 metros. Valor: R$ 350 milhões. Bem mais em conta do que restaurar porta-aviões desativados. Isso sairia por R$ 1,2 bilhão.

Brasília
Tiririca não comove nem convence

Vinicius Loures

Um clown, quando chora fora de hora e de lugar, torna-se patético. Assim choramingou na semana passada o deputado federal Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca. Em sete anos como parlamentar, ele ocupou pela primeira vez a tribuna para dizer que não se candidatará em 2018. A “vergonha” norteou a decisão: faz-se pouco pelo povo mas “a gente é bem pago, tira livre vinte e três mil reais”. Tiririca entrou na vida pública em 2010. Ficam as perguntas: teve de esperar quase dois mandatos para perceber tudo isso? O seu bordão era: “pior do que está não fica”. Na verdade, foi piorando, e ele não percebeu? Se o clown tivesse saído antes de cena, o choro teria sido mais convincente.

STF
O problema não é só o foro privilegiado

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O ministro Luís Roberto Barroso já afirmou que a restrição ao foro privilegiado resolve o problema do excesso de processos criminais no STF, mas não soluciona o da impunidade no País. Informação revelada na semana passada tem a ver com a questão do alto número de eventuais culpados que demoram a ser condenados. Nada menos que 40 pedidos de vista foram feitos esse ano nas sessões do tribunal. Apenas 18 processos, no entanto, foram devolvidos para serem novamente incluídos na pauta e seguirem em julgamento. O regimento do STF fixa duas semanas de prazo para o ministro que peça vista permanecer com o processo para melhor analisá-lo. Esse regimento raramente é respeitado.