O alazão e o jegue

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)


Com o evento Web Summit acontecendo em Lisboa, Portugal atrai investidores internacionais com uma cenoura especial: a inovação global. Mas logo depois os convidam para um festival de burocracia transcendental seguido de um “arraial de porrada” fiscal. É um péssimo modelo de negócio.

De que adianta comprar um cavalo do mais puro sangue, reprodutor da mais alta estirpe — motor da Ferrari, sela Louis Vuitton, arreios Hermes, bridão da Vogue, cabeçada Monclair e esporas Pini Farini — se depois não tem grana para comprar palha?

Qual a vantagem de inscrever esse equino atleta de suave crina e quatro patas — no melhor Circuito Mundial de Atrelados, ou na Super Convenção Internacional de Dressage; no concurso de Saltos do Dubai ou na Box de ouro das elegantes corridas de Ascott —  se  o bichinho nem vai conseguir se mexer?

Mais valeria ser o dono de jumento mais modesto, sem tanto glamour nas vitrines, mais perto de Nike —  mas simples que Adidas — mas um cavalicoque a quem pudesse dar a palha suficiente para ele sair em frente. Assim ele teria chances de chegar em alazão!

Esta metáfora cavalar me surgiu quando as tecnologias e inovações que outra vez se fizeram abundantes em Portugal, na semana em que o Web Summit foi on site em vez de on line; e Lisboa se tornou de novo a capital universal da internet das coisas e das Startups e onde empresas e investidores Brasileiros marcaram expressiva presença.

Conseguir ter o Web Summit em Lisboa é muito bom para Portugal. Revela que o povo luso tem ambição e rasgo. Mas para quem paga tão caro — ­ 11 milhões de euros foi quanto o empreendedor Paddy Cosgrave cobrou para fixar o maior evento de internet do mundo junto ao rio Tejo —  seria bom otimizar o investimento.

A cada ano conseguir trazer a Lisboa os melhores inovadores, os maiores investidores e os mais populares oradores, só para fazer carícias no ego do patrocinador — do cavalo — não é bom para a reputação do ecossistema de investimento português.

É verdade que um cavalo barato pode sair caro. Mas é mais verdade ainda que um cavalo caro só compensa quando existe um jockey competente.

A experiência e dimensão dos ecossistemas brasileiros de inovação — por exemplo de São Paulo, Brasília e Santa Catarina — seria mais que bem vinda a Portugal. Vamos pensar nisso? Porque se a ideia é condenar o alazão a morrer de inanição, é melhor escolher um jegue mais em conta.


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Sobre o autor

Fundador da Informacion Capital Consulting e Diretor da Câmara de Comércio e Industria Luso Brasileira em Lisboa onde coordena o comité de Trade Finance é o autor do estudo "O Potencial de Expansão das Exportações Brasileiras para Portugal”. Atua atualmente como investidor e consultor, estando envolvido em projetos de intercâmbio internacional nas áreas do comércio, tecnologia e real estate. Vive com um pé em cada lado do Atlântico, entre São Paulo e Lisboa. É autor e colunista na imprensa internacional sobre temas de investimento, importação e exportação e inteligência de mercado. É um entusiasta da cultura e da língua portuguesa.


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