A Intel vive um momento complicado, com demissões em massa e fechamento de escritórios em algumas partes do mundo. Recentemente, o governo americano se movimentou para comprar 10% das ações da empresa e dar uma força para a companhia. Mas quem diria que outra ajuda viria de uma concorrente?
Nesta quinta-feira, a Nvidia anunciou um aporte de US$ 5 bilhões na Intel, na forma de compra de 4% das ações da empresa. O acordo prevê ainda uma colaboração entre as empresas nas áreas de chips para datacenters e produtos de PC, integrando CPUs x86 da Intel com tecnologia RTX da Nvidia.
Mas o que leva uma empresa a investir em uma concorrente? Para começar, temos que lembrar que, assim como o Real Madrid e o Getafe, Nvidia e Intel disputam o mesmo campeonato, mas em condições completamente diferentes. Enquanto uma é líder disparada no setor de chips para IA, a outra se contenta com o tradicional mercado de CPUs para PCs e aplicações convencionais, com potencial de crescimento bem menor. Assim, a ajuda para a Intel não ameaça a supremacia da Nvidia, pelo menos no curto prazo.
Make Intel Great Again
Uma outra resposta para a pergunta pode envolver um terceiro jogador: o governo americano. Já na era Biden os EUA consideravam que reforçar a Intel seria fundamental para manter a competitividade do país na área de fabricação de processadores, e essa aposta foi redobrada com Trump.
Aqui vale lembrar que a Nvidia, embora também americana, não possui fábricas de chips e terceiriza o processo para a taiuanesa TSMC. Assim, de certa forma a parceria Nvidia/Intel pode ajudar a primeira a diminuir a dependência da TSMC, além de agradar e muito o governo americano.
O apoio de Trump é cada vez mais importante à medida que a Nvidia fica cada vez mais enrolada nas tensões entre EUA e China. Alguns dias atrás, foi amplamento noticiado que autoridades chinesas recomendaram que empresas locais não comprem chips da Nvidia e deem preferência a alternativas chinesas, como os produtos da Huawei.