O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), rebateu, nesta segunda-feira, 23, uma recente declaração do CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, que afirmou que as interrupções no serviço seriam inevitáveis durante tempestades e que nem “Jesus Cristo” conseguiria evitar a falta de energia. Contrariando essa colocação, Nunes declarou que “nem Jesus Cristo salva essa Enel”.
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Durante um evento com investidores e analistas da empresa em Milão, na Itália, Cattaneo declarou que as falhas causadas pela arborização urbana durante tempestades não se trata apenas de um problema da Enel, pois “se esse tipo de arborização continuar, só alguém seria capaz de resolver — e não é um ser humano, é Jesus Cristo, porque não há como evitar apagões de outra forma”, concluiu o CEO.
Como Nunes reagiu
Em tom irônico, o prefeito rebateu dizendo que “nem Jesus Cristo salva essa Enel” e ainda classificou a fala do executivo como “muita cara de pau”. O prefeito também acusou a concessionária de mentir e demonstrar alto grau de incompetência, afirmando que a soma dessas falhas chega a assustar.
Para contestar o argumento de que as árvores seriam as principais responsáveis pelas interrupções no fornecimento de energia, Nunes apresentou dados segundo os quais mais de 80% dos pontos que ficaram sem luz na cidade não registraram queda de árvores.
O prefeito ainda afirmou que espera a saída da Enel como distribuidora de energia de São Paulo. “Se presta um mau serviço tem que sair do contrato. Espero que eles saiam do estado, já que além de São Paulo, eles atendem mais 23 cidades. Em vez de melhorar a qualidade do serviço, ficam querendo culpar árvores, o que mostra a falta de compromisso com a cidade”, concluiu.
Por outro lado, Cattaneo declarou que a Enel não pretende vender a concessão em São Paulo e defendeu o cumprimento do contrato. Em 2025, a empresa anunciou investimentos de R$ 25 bilhões no Brasil. Em nota à IstoÉ, a Enel afirmou que as declarações de Ricardo Nunes sobre o último evento climático não correspondem à realidade e disse que a companhia irá demonstrar isso. Segundo a empresa, mais de 90% dos casos de falta de energia registrados foram provocados por causas ambientais.
Confira a nota na íntegra
“A Enel reforça que as declarações do prefeito Ricardo Nunes sobre o último evento climático não correspondem à realidade, como a companhia irá demonstrar. Mais de 90% dos casos de falta de luz foram decorrentes de causas ambientais, como a queda de árvores e galhos ou o contato da vegetação com a rede elétrica, devido ao impacto dos fortes ventos”.
Prefeito cobra governo federal
Nunes também cobrou uma atuação mais firme do governo federal, responsável pela concessão, regulação e fiscalização do serviço. Segundo ele, é necessário mais agilidade e cobrança por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica, embora tenha dito confiar na seriedade do órgão, ainda que demonstre preocupação com a lentidão dos processos.
No fim do ano passado, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, formalizou pedido à Aneel para abertura de processo administrativo que pode levar à rescisão do contrato da Enel em São Paulo.