Novos vídeos mostram ponte desabando entre Tocantins e Maranhão

Advogados tiveram acesso às imagens no ano passado e anexaram o material aos autos do processo

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Foto: Reprodução / Redes sociais

Novas imagens divulgadas nesta semana revelam diferentes ângulos do desabamento da ponte Juscelino Kubitschek, que conecta Aguiarnópolis (TO) a Estreito (MA), na divisa entre Tocantins e Maranhão. Os registros mostram o momento exato em que caminhões e uma motocicleta são lançados durante a queda da estrutura. O acidente ocorreu em 22 de dezembro de 2024.

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À época, o vão central colapsou e acabou derrubando parte da estrutura, levando diversos veículos para o fundo do Rio Tocantins. A tragédia deixou 14 mortos, três desaparecidos e um ferido. As imagens inéditas foram divulgadas nas redes sociais pela Web TV Jaguar News.

Confira

Melissa Fachinello, advogada responsável pelas empresas e pescadores afetados pelo acidente, também compartilhou parte das imagens registradas por câmeras de segurança acopladas aos caminhões que afundaram no rio. Na publicação, ela afirma que as indenizações às vítimas ainda não foram pagas.

“Não aconteceu de um dia para o outro, isso é abandono, é negligência. Até quando tragédias anunciadas como essas vão acontecer sem responsabilização? A indenização não é um favor, é um direito para quem teve perdas e danos por omissão e negligência. Justiça não pode esperar, e vidas não podem ser ignoradas”, declarou Melissa Fachinello.

Daniel Andrade, que também atua em favor das vítimas do acidente fatal, declarou, em uma publicação nas redes sociais, que, apesar de os vídeos terem vindo a público somente agora, o corpo jurídico já tinha acesso às gravações.

“Tivemos acesso, no ano passado, a esses vídeos e os juntamos ao processo em segredo de Justiça. Porém, conseguiram acessá-los e os divulgaram nas redes sociais. O que aconteceu não foi uma fatalidade. Quando falta manutenção, fiscalização e responsabilidade, o resultado é esse: dor e perdas irreparáveis”, declarou Andrade. “Que os responsáveis sejam punidos”, concluiu.

O que diz a DNIT

Em nota ao g1, a DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) informou que as indenizações relacionadas ao desabamento da ponte JK estão sendo tratadas na Justiça, por meio de diversas ações movidas por vítimas, órgãos públicos e entidades civis.

Os processos discutem danos materiais, morais, lucros cessantes e possíveis impactos ambientais, e incluem tentativas de acordos para agilizar as respostas às famílias atingidas. Segundo o órgão, ainda não há previsão para os pagamentos, que dependerão do andamento das ações judiciais e de decisões definitivas.

Relembre o caso

Construída na década de 1960, a antiga ponte chegou a passar por reparos em 2021, mas continuava apresentando problemas.

A estrutura cedeu por volta das 14h50 de 22 de dezembro de 2024. Com o desabamento, três motocicletas, um carro, duas caminhonetes e quatro caminhões despencaram no Rio Tocantins. Entre os veículos, dois transportavam 76 toneladas de ácido sulfúrico e outros dois carregavam 22 mil litros de defensivos agrícolas.

Dias antes da tragédia, moradores de Tocantins e Maranhão já denunciavam às autoridades as más condições da ponte. O colapso ocorreu no momento exato em que o vereador Elias Júnior (Republicanos), de Aguiarnópolis, gravava um vídeo para expor os problemas da estrutura.

O que restou da ponte foi demolido por implosão em fevereiro de 2025. Na sequência, começaram as obras da nova travessia na BR-226, concluída e inaugurada em 22 de dezembro de 2025, um ano após o desabamento.