Novos tempos, novas redes

Não sei vocês, mas às vezes acho que o isolamento será para sempre e a vida será um eterno acordar — checar o celular — ir até a cozinha — ligar o computador — ir até a cozinha — voltar ao computador — ir até a cozinha — dormir — ir até a cozinha — checar o celular — dormir — checar o celular — acordar.

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E com o isolamento virando rotina, começam a surgir novos problemas. Digo “novos”, porque nas primeiras semanas era óbvio que o “confronto” do lar não ia prestar.

Não é à toa que em alguns países mais civilizados as taxas de divórcio cresceram. Por aqui ainda não, porque o brasileiro e a brasileira são, acima de tudo, uns fortes.

O fato é que casais e seus filhos não foram feitos para conviver tanto tempo juntos. A gente vai pegando birra até do cachorro, impressionante. Mas piora.

É que conforme vão passando os meses, a quarentena vai ampliando o raio dos problemas de convívio social.
Por exemplo, aquele vizinho do 64, que era tão silencioso, agora não para de andar para lá e para cá o dia todo.
O outro, do 42, faz uma comida com tanto alho que empesteia o prédio todo.

Tem o gato do prédio ao lado, que só a dona não escuta miar o dia todo.

E chega uma hora que dá vontade de cortar a cabeça do afiador de facas com seu apitinho dos infernos.

Então a gente faz o que? Claro. Mergulha a cara no celular para escapar dessa rotina nefasta.

E dá de cara com as mesmas redes sociais de sempre.

Convenhamos: A pandemia envelheceu as redes sociais.

As redes sociais mais populares foram criadas para outros tempos.

Uma época que você estava de cá pra lá, fotografando o mundo, ou seu almoço.

Agora, trancados em casa, o seu Instagram sofre de enorme desinteressância, com o perdão do neologismo.

E quem quer entrar no Facebook do Gustavo Lima se tem Live dele todos os dias?

Os novos tempos pedem novas redes sociais.

Como diriam os Titãs, “a gente não quer só comida. A gente quer comida delivery, diversão e arte no confinamento”.

E o Brasil, como um país que sempre apostou no novo, como foi o caso da Hidroxicloroquina, precisa largar na frente e apresentar as redes sociais dessa nova ordem mundial.

Divido aqui algumas sugestões e libero aos mais empreendedores, seu direito de uso.

Instaqui.

Trata-se de uma rede social dedicada a fotografar cada cantinho da sua casa.

Seu celular (iPhone e Android) fotografa e posta automaticamente, sempre que você for até a cozinha pegar mais um refrigerante.

Pá!

Quando você menos espera, tá lá um canto do sofá ou um pé de cadeira, na rede.

NoFace.

Muito semelhante ao Facebook.

A diferença é que você não pode ter nem amigos nem seguidores.

Essa rede social se restringe a quem mora na sua casa, para que vocês possam evitar a maior fonte de conflitos domésticos: O diálogo.

No NoFace cada um divulga sua rotina, publica o que fez no dia ou mesmo pergunta o que tem para jantar.
Tudo sem precisar nem se ver, nem falar.

NothingZap.

Um programa de mensagens onde você não conversa com ninguém, não combina de sair, nem planeja viagens que é para não dar nem vontade, nem inveja.

As mensagens são postadas automaticamente. “Bom Dia Grupo” com girassóis de fundo, “Gratidão” e “Namastê” com pôr do sol e fotos da lua todas as noites.

Falando em noite, me ocorre que outra fonte de lazer também precisa se reciclar: A Netflix.

Chega de séries com todo mundo se abraçando e andando sem máscaras.

Proponho uma continuação de Breaking Bad.

Breaking Bad 2 — A Reunião, onde todos os personagens vão morar no mesmo trailer.

A violência vai comer solta, eu sei.

Melhor. Serve de válvula de escape.

Como diria a banda Titãs, “a gente não quer só comida, quer delivery, diversão e arte no confinamento”

 

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