Medicina & Bem-estar

Novos passos

Americano torna-se a primeira pessoa a andar sozinha depois de ficar paraplégico por causa de lesão medular

Crédito: Teresa Crawford

CAMINHADA Jered precisou de asssistência do andador, mas na esteira deu passos sozinho (Crédito: Teresa Crawford)

Foram 331 passos, 102 metros percorridos e 16 minutos andando sem e com ajuda, mas andando. Foi assim que o americano Jered Chinnock, 29 anos, marcou um fato histórico em sua trajetória pessoal e na medicina. Há cinco anos, Jered ficou paraplégico depois de um acidente. Na última semana, sua história foi destaque da revista científica Nature, uma das mais respeitadas do mundo, porque ele se tornou a primeira pessoa do mundo a caminhar de forma independente após sofrer a paralisia completa dos membros inferiores em decorrência de uma lesão de medula.

Especialistas da Clínica Mayo (EUA) foram os responsáveis pelo feito de Jered. Há anos a instituição pesquisa maneiras de devolver a mobilidade a paraplégicos. Jered conferiu a eles sua primeira grande vitória. O trabalho consistiu em preparação muscular e a criação de um eletrodo acionado a partir da simples intenção de Jered de caminhar.

A função do eletrodo é estimular a passagem dos sinais elétricos entre os circuitos neuronais que tiveram essa transmissão interrompida por causa da lesão. Ele foi implantado na medula espinhal – por onde passam os feixes nervosos que fazem a ligação do cérebro com o resto do corpo -, logo abaixo da lesão sofrida pelo americano. O artefato está sujeito a um controle preciso para que a intensidade, a frequência e os nervos acionados respondam à necessidade que a execução do movimento exige. O desempenho de Jered mostrou que apesar da lesão os neurônios respondem se estimulados do jeito certo. “A rede de células nervosas ainda pode funcionar depois da paralisia”, afirmou Kendall Lee, envolvido no projeto. Os cientistas querem agora entender precisamente o que aconteceu. “Saber como ele conseguiu e identificar pacientes que se beneficiarão é o próximo desafio”, disse Kristin Zhao, outro participante do projeto.

“A rede de células nervosas ainda pode funcionar mesmo depois da paralisia” Kendall Lee, pesquisador, Clínica Mayo

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