Os partidos nunca estiveram tão desmoralizados como atualmente, depois da enxurrada de denúncias de corrupção desvendadas pela Operação Lava Jato, levando o eleitor ao descrédito na classe política. Mas uma luz no fim do túnel começa a surgir, com o fortalecimento de movimentos para renovar os métodos de se fazer política. A maioria deles independentes dos partidos tradicionais. E sem objetivos meramente eleitoreiros. O pano de fundo dessas iniciativas é formar novas lideranças políticas, submetidas a princípios da ética e da boa gestão, abandonando as atuais práticas de malfeitos na política.

Um desses grupos que pretendem transformar a forma de fazer política no País é o RenovaBr, movimento apartidário que seleciona 150 pessoas no Brasil todo para submetê-las a intenso processo de formação. Os escolhidos até o próximo dia 31 receberão bolsas em torno de R$ 5 mil mensais para se dedicarem ao projeto.

De janeiro a junho do ano que vem, eles terão aulas de ética na política, funcionamento do estado, planejamento, estratégia e liderança. “Ao final dos cursos, essas pessoas estarão aptas a se transformarem em bons políticos. Os que desejarem por em prática o que aprenderam, podem se candidatar a deputado federal ou estadual na eleição do ano que vem. Mas essa é uma decisão que caberá a cada um dos bolsistas”, diz Eduardo Mufarej, coordenador do RenovaBr.

Para financiar o projeto, Mufarej explica que importantes personalidades brasileiras já se mostraram interessadas em contribuir financeiramente com a iniciativa. Entre eles estão o empresário Abílio Diniz, o economista Armínio Fraga, o publicitário Nizan Guanaes e até o apresentador de TV Luciano Huck. “Não vamos aceitar doações de empresas inidôneas. Empreiteiras e empresas envolvidas na Laja Jato não terão vez”, assegura Mufarej, que também é presidente do Conselho da Somos Educação e da Confederação Brasileira de Rugby.

Emarto

“Não queremos virar um partido político, mas
formar gente que renove as práticas políticas”
Eduardo Mufarej, do RenovaBr

Só dinheiro limpo

A princípio, a entidade não pretende formar candidatos a presidente da República, limitando-se a aspirantes ao Legislativo. “Nós não queremos formar uma bancada no Congresso ou virar partido político. Queremos apenas formar gente que renove as práticas políticas. O sentimento da sociedade é que tenhamos um Congresso diferente, composto por pessoas bem intencionadas”, diz Mufarej. O RenovaBr não exigirá nenhuma contrapartida dos que vierem a se eleger em função dos cursos do projeto. “Não vamos pedir para ninguém apresentar projeto para introduzir o rúgbi nas escolas”, ironizou Mufarej.

Há movimentos que defendem a renovação mas que ainda estão abrigados dentro da estrutura partidária vigente. É o caso do Novo, partido criado em 2011 com o objetivo de revolucionar a política no Brasil. A começar por uma questão elementar: o Novo não aceita receber recursos públicos do Fundo Partidário para manter suas atividades. Em abril, o Novo recebeu R$ 1,7 milhão do Fundo Partidário, mas devolveu o dinheiro aos cofres públicos.

O partido quer se manter apenas com a contribuição de seus 14 mil filiados. Hoje, a média de mensalidades dos filiados é de R$ 28,23. Além disso, o partido deseja ter em seus quadros apenas pessoas comprometidas com boas práticas de gestão. O Novo acaba de ter a adesão do economista Gustavo Franco, que pretende oxigenar o pensamento econômico do partido. Considerado um dos pais do Plano Real, Franco vem atraindo para o partido novos filiados. Desde que ele entrou para o Novo, o partido vem recebendo 100 novos filiados por dia, o triplo dos meses anteriores.

O partido espera também aumentar sua representação política. Em 2018, o partido espera eleger de 20 a 35 deputados federais. Em 2016, quando o Novo disputou as eleições pela primeira vez, a agremiação elegeu quatro vereadores (no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre).

Além disso, o partido pretende disputar alguns governos estaduais, como é o caso do Rio, com Bernardinho, técnico de vôlei. O líder do partido, João Dionísio Amoedo, também deve disputar a presidência da República. “O Novo quer recuperar a o quadro dramático da política brasileira causado pela má administração”.

Na mesma linha vem sendo estruturado o Livres. Com ideias de implantação de um estado enxuto e bem administrado, o Livres está substituindo o PSL, fundado em 1998 pelo empresário liberal Luciano Bivar, mas que não havia deslanchado. Desde 2016, o Livres assumiu o partido com a missão de renová-lo. Hoje, já conta com lideranças em todo o País. Dessa forma, quem ganha é o debate. Nem tudo está perdido.