A Marinha da Colômbia eliminou, em uma “operação ofensiva”, nove supostos rebeldes do ELN, no golpe mais duro contra a guerrilha desde que foi instalada a mesa de negociações de paz com o governo de Gustavo Petro, informaram as Forças Armadas colombianas nesta segunda-feira (30).
A operação se desenvolveu na última sexta-feira em uma área rural do município de Buenaventura (sudoeste), onde, “em combates, ocorreu a morte de nove supostos integrantes do ELN”, disse a jornalistas o general Helder Giraldo, comandante-geral das Forças Armadas da Colômbia.
Giraldo também lamentou a morte de um soldado da Marinha que “inicialmente tinha ficado ferido neste enfrentamento e posteriormente morreu”.
O Exército de Libertação Nacional (ELN) – a última guerrilha reconhecida do país após a desmobilização das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2017 – sentou-se para negociar com o governo de Gustavo Petro na Venezuela no fim de 2022.
Mas, ao queimar a largada, Petro causou o primeiro contratempo nos diálogos.
Na véspera de Ano Novo, o presidente anunciou, segundo a guerrilha sem o seu consentimento, um cessar-fogo bilateral. Em 3 de janeiro os insurgentes o desmentiram e, desde então, afirmam que as negociações estão em “crise”.
Em resposta, Petro desistiu da trégua.
Desde então, as Forças Armadas eliminaram um total de dez integrantes da guerrilha, incluindo os nove que morreram nesta operação, e capturaram outros 21, segundo Giraldo.
“Essas operações continuarão sendo realizadas”, antecipou o general.
Delegados do governo e do ELN voltarão a se reunir em meados de fevereiro no México para uma nova rodada de conversas com a trégua bilateral na agenda.
Petro, que tomou posse em agosto como o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, avança em uma política de “paz total” com a qual pretende desmobilizar rebeldes, traficantes e membros de gangues através de negociações e submissões à Justiça com benefícios legais.
Dissidentes das Farc que não depuseram suas armas em 2017 e outros dois grupos de traficantes e paramilitares – o Clã do Golfo e as Autodefesas de Sierra Nevada – fazem parte da trégua bilateral com as forças do Estado. Por sua vez, apenas o ELN tornou pública a sua rejeição à medida.