Cultura

A nova rainha do crime

A americana Karin Slaughter conta como vendeu 35 milhões de livros com enredos macabros sobre um tema recorrente: a violência contra a mulher

Crédito: Marc Brester

NAS RUAS A escritora americana Karin Slaughter se inspira em sua cidade natal, Atlanta, para escrever suas histórias (Crédito: Marc Brester)

As escritoras policiais do passado se ocupavam em narrar histórias de “homicídios”. Era o tempo em que a palavra se aplicava aos dois sexos. Agora o assassinato de mulheres foi rebatizado de “feminicídio”. A americana Karin Slaughter se dedica à nova tipificação, só que no crime literário. A crítica a apelidou de “rainha do crime”. Mas não seria mais adequado chamá-la de “a rainha do feminicídio”?

“A mulher é a vítima principal dos crimes”, afirma ela. “O que faço é observar o que se passa na cidade em que nasci e vivo.” A obra de Karin se passa em Atlanta, Geórgia, e arredores, que hoje exibe altos índices de violência e pobreza. “Atlanta é um prato cheio para autores policiais”, diz.

Massacre

Aos 46 anos, Karin se tornou uma das autoras policiais mais lidas do mundo. Seus livros atingiram a venda de 35 milhões de exemplares. Começou a publicar em 2001 e conta com 24 títulos. Tornou-se famosa pelas histórias intrincadas repletas de situações escabrosas e reviravoltas. Pratica o “hard boiled crime”, subgênero que consiste em altas doses de violência, descrita sem rodeios e em linguagem realista. Mas, dentro do subgênero, ela se devota a narrar casos de violência contra a mulher.

Dois romances seus acabam de sair no Brasil pela editora Harper Collins. Tratam de vítimas femininas: “Flores Partidas” e “Esposa Perfeita”. Lançados em 2015, logo viraram best-sellers. O primeiro versa sobre um cunhado estuprador. O segundo relata dois crimes, contra uma mulher e um ex-policial. Cabe ao detetive Will Trent — herói de dez romances — investigar o caso.

Karin nasceu na família Slaughter (“massacre”, em inglês), cristã e conservadora. “Eu era a típica menina loira de olhos azuis, mimada pelos pais”, diz. “Eles não imaginavam o que se passava na minha cabeça.” Desde criança, imaginava histórias completas de crimes.

“Até hoje é assim: primeiro a história me vem, em seguida escrevo-a à mão para só no fim transcrevê-la no computador.” Ao contrário de outros autores best-sellers, Karin não é sistemática. “Na verdade, não sei o que vou escrever a seguir, não tenho horários nem método”, diz.” Ninguém pode acusá-la de compaixão. Histórias cruéis a tornaram famosa. Acha graça de si própria: “Sigo minha imaginação. Felizmente, ela não tem limites”.

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