O Dia

Nova polêmica em evento de arte

Curador de exposição com esculturas de teor sexual reclama de censura. Centro Cultural da Light nega e usa faixa de idade mínima

Mesmo antes da abertura ao público, a exposição ‘Um poema intenso cujo começo é aqui’, no Centro Cultural da Light, no Centro do Rio, já virou polêmica. Na terça-feira, a mostra recebeu uma placa de faixa etária mínima devido à série de esculturas ‘Mil novecentos e meia nove’, do artista Bruno Portella, que apresenta soldados representando cenas de cunho sexual.

Em rede social, o curador da exposição, Matheus Simões, apresentou uma nota de repúdio à medida da Light, que considera censura. “Eu e outros artistas tentamos argumentar sobre a importância de se respeitar o projeto expositivo, selecionado e aprovado em edital, e principalmente todo o trabalho dispensado pelo artista, que já havia montado o trabalho no espaço”, comentou, em nota. Simões ainda pede pronunciamento da Escola de Belas Artes da UFRJ (EBA), responsável pelo espaço, porque a decisão “comprometeu a integridade dos alunos (da instituição)”.

Segundo o curador relatou, as obras não poderiam ser exibidas para não “afetar os ânimos dos militares do Palácio Duque de Caxias e que, supostamente, se interessariam por uma exposição sobre arte contemporânea e processos pedagógicos”.

Em nota oficial, a Light diz repudiar “qualquer forma de censura e afirma desconhecer práticas desse tipo no centro cultural. De acordo com a empresa, algumas peças serão expostas apenas com avisos de
faixa etária devido ao trânsito de crianças”.

O projeto é uma parceria da EBA com o Centro Cultural da Light. O acordo permite que alunos de artes ocupem o espaço com exposições.

Reportagem da estagiária Julia Noia, sob supervisão de Alexandre Machado