Nossa democracia sugar

Sugar Babies são um fenômeno moderno.

Pelo menos é o que acham as próprias e seus parceiros, os Sugar Daddies.

Para quem não está familiarizado, explico: trata-se de uma nomenclatura nova para uma relação na qual a mulher, quase sempre uma jovem, daí o Baby, recebe ajuda financeira. Mas não só isso.

Pode ganhar presentes, viagens, crescimento profissional, ou seja lá o que necessitar.

Tudo o que pode oferecer um homem, geralmente mais velho, daí o Daddy, mais experiente e quase sempre realizado em sua vida pessoal e profissional.

Essa troca se dá de acordo com interesses mútuos e se você acha que apenas envolve sexo, saiba que nem sempre é o caso.

É frequente que o Daddy queira apenas companhia para preencher sua solidão, jantar, viajar ou apenas realizar o fetiche de exercer poder.

Em troca, a Baby conquista rapidamente o que levaria muito tempo para alcançar sozinha. Status, bens, experiências. O nome é novo, mas a relação não.

Trata-se de uma versão revista e atualizada para o mundo moderno de um relacionamento bem antigo: o das cortesãs com os nobres.

Cortesãs, no Século XVI, eram as mulheres que se associavam aos ricos, aos poderosos que, em contrapartida, proviam o luxo, o bem-estar e o status na corte, em troca de companhia e favores.

As cortesãs, com o tempo, foram extintas com a mudança moral que enfraqueceu as monarquias, com o surgimento da revolução industrial e a ascensão de uma inédita classe média.

O poder masculino da elite se enquadrou a novos limites e o livre trânsito das cortesãs passou a não ser mais aceito.
Por sua vez, o casamento deixou de ser uma relação de negócios e imposição das famílias reais e nobres para se tornar uma decisão particular, dos pares.

O casamento por amor que, paradoxalmente, criou também o divórcio, não aceitava mais a função acessória das cortesãs.

Sugar Baby é o nome que a geração millennial batizou o arcabouço moral que recriou a possibilidade de resgate das cortesãs.

Empoderadas as mulheres de hoje podem escolher com quem e porque fazem sexo ou se relacionam. Os Daddies, por sua vez, também representam uma nova ética.

Homens que exercem o “poder da corte” como forma de satisfação pessoal, status ou fetiche.

Essa relação segue um regimento previamente acordado entre as partes, onde não há cobranças, nem expectativas. E ao que parece, essa relação extrapolou os casais.

A tragédia da pandemia aliada a uma impensada combinação de personagens bizarros, impôs que tenhamos hoje uma relação Sugar com nossos governantes.

O Poder Executivo é o Sugar Daddy supremo.

Tem, em suas mãos, um inventário gigantesco de recursos, status e dinheiro.

Pode atender a quantas Babies desejar para realizar seu fetiche autoritário.

Os desejos desse Sugar Daddy não apresenta limites e são atendidos por quem se submeter.

Sem cobranças, nem expectativas.

Um bom exemplo é a ajuda financeira que o Daddy oferece a milhões de Babies.

O dinheiro veio na forma da mais do que necessária ajuda emergencial.

Nos últimos meses nosso Sugar Daddy distribuiu o equivalente a nove anos de Bolsa Família.

Se de um lado a ajuda emergencial era fundamental, de outro reforça o poder do Daddy, que sabe desse seu incomparável atributo e, em troca, anda pelo Brasil sem máscara, sem planos e sem vergonha de expor sempre novos desejos.

Desejos que são prontamente atendidos por Ministros Sugar Babies que jamais ocupariam esse posto se não concedessem a seu Daddy.

Empresários Babies subsidiam planos luxuriosos, militares Babies se submetem aos mais impensados atos, políticos Babies cedem a fantasias de poder.

O brasileiro, isolado, aceita libidinosamente e sem cobranças, essa relação.

E aos poucos descobre que não existe o Novo Normal.

O que existe é a Nova Moral.

O Poder Executivo tem, em suas mãos, um inventário gigantesco de recursos, status e dinheiro a oferecer

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