A chegada de Gleisi Hoffmann ao comando da Secretaria de Relações Institucionais do governo se somou à ida de Alexandre Padilha para a Saúde, confirmada no início da semana, para fazer com que petistas estejam à frente de 14 dos 39 ministérios de Estado e secretarias com esse status.
Essa é a maior fatia que o partido comanda da Esplanada desde o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023.
São eles:
— Fazenda, com Fernando Haddad;
— Desenvolvimento Social, com Wellington Dias;
— Educação, com Camilo Santana;
— Igualdade Racial, com Anielle Franco;
— Saúde, com Alexandre Padilha;
— Desenvolvimento Agrário, com Paulo Teixeira;
— Casa Civil, com Rui Costa;
— Trabalho e Emprego, com Luiz Marinho;
— Gestão e Inovação, com Esther Dweck;
— Mulheres, com Cida Gonçalves;
— Secretaria-Geral da Presidência, com Márcio Macêdo;
— Advocacia-Geral da União, com Jorge Messias;
— Direitos Humanos e Cidadania, com Macaé Evaristo;
— Relações Institucionais, com Gleisi Hoffmann.
Caminho controverso
Eleito com um discurso de “frente ampla” que levou ex-adversários — como Geraldo Alckmin (PSB), hoje vice-presidente — ao seu palanque nas eleições de 2022, o petista deu espaço a partidos ideologicamente distantes no governo, mas deixou pastas prioritárias e os chamados cargos “palacianos”, que despacham do Palácio do Planalto e têm atuação próxima da Presidência — caso da Secretaria-Geral — nas mãos de colegas de militância.
Diante da crise de popularidade e das dificuldades econômicas enfrentadas pela gestão, o “centrão”, grupo dos partidos mais influentes do Parlamento, alimentou a expectativa de obter mais espaço na Esplanada e, em troca, sustentar o Executivo em aprovações importantes para a recuperação.
Mas a nomeação de Gleisi e a realocação de Padilha apontam para a direção oposta. Para Luciana Santana, cientista política e professora da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), o ganho de espaço do PT na Esplanada não corrige a “desproporção na distribuição de poder” por parte de Lula.
“As condições para recuperar o capital político e conquistar uma conciliação bem-sucedida com as forças do Congresso dependem, em primeiro lugar, do governo federal estar disposto a compartilhar melhor o poder”, afirmou à IstoÉ.