Nomeações de Gleisi e Padilha levam PT a comandar mais de um terço dos ministérios

Ricardo Stuckert / PR
O presidente Lula (PT) durante encontro com o novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e Gleisi Hoffmann, nova ministra das Relações Institucionais Foto: Ricardo Stuckert / PR

A chegada de Gleisi Hoffmann ao comando da Secretaria de Relações Institucionais do governo se somou à ida de Alexandre Padilha para a Saúde, confirmada no início da semana, para fazer com que petistas estejam à frente de 14 dos 39 ministérios de Estado e secretarias com esse status.

Essa é a maior fatia que o partido comanda da Esplanada desde o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023.

São eles:
— Fazenda, com Fernando Haddad;

— Desenvolvimento Social, com Wellington Dias;

— Educação, com Camilo Santana;

— Igualdade Racial, com Anielle Franco;

— Saúde, com Alexandre Padilha;

— Desenvolvimento Agrário, com Paulo Teixeira;

— Casa Civil, com Rui Costa;

— Trabalho e Emprego, com Luiz Marinho;

— Gestão e Inovação, com Esther Dweck;

— Mulheres, com Cida Gonçalves;

— Secretaria-Geral da Presidência, com Márcio Macêdo;

— Advocacia-Geral da União, com Jorge Messias;

— Direitos Humanos e Cidadania, com Macaé Evaristo;

— Relações Institucionais, com Gleisi Hoffmann.

Caminho controverso

Eleito com um discurso de “frente ampla” que levou ex-adversários — como Geraldo Alckmin (PSB), hoje vice-presidente — ao seu palanque nas eleições de 2022, o petista deu espaço a partidos ideologicamente distantes no governo, mas deixou pastas prioritárias e os chamados cargos “palacianos”, que despacham do Palácio do Planalto e têm atuação próxima da Presidência — caso da Secretaria-Geral — nas mãos de colegas de militância.

Diante da crise de popularidade e das dificuldades econômicas enfrentadas pela gestão, o “centrão”, grupo dos partidos mais influentes do Parlamento, alimentou a expectativa de obter mais espaço na Esplanada e, em troca, sustentar o Executivo em aprovações importantes para a recuperação.

Mas a nomeação de Gleisi e a realocação de Padilha apontam para a direção oposta. Para Luciana Santana, cientista política e professora da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), o ganho de espaço do PT na Esplanada não corrige a “desproporção na distribuição de poder” por parte de Lula.

“As condições para recuperar o capital político e conquistar uma conciliação bem-sucedida com as forças do Congresso dependem, em primeiro lugar, do governo federal estar disposto a compartilhar melhor o poder”, afirmou à IstoÉ.