O Prêmio Nobel de Economia de 2026 foi concedido nesta segunda-feira (12) aos economistas americanos Robert E. Hall e Michael Woodford, por suas contribuições ao desenvolvimento de modelos capazes de orientar políticas econômicas em períodos de instabilidade. A decisão foi anunciada pela Real Academia Sueca de Ciências, que reconheceu os pesquisadores por seus estudos sobre os fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica.
Os dois vencedores dividirão 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente US$ 1,2 milhão. Hall é professor emérito da Universidade Stanford, na Califórnia, enquanto Woodford atua na Universidade Columbia, em Nova York.
As pesquisas premiadas ajudaram a transformar a maneira como governos e bancos centrais analisam o comportamento da economia, especialmente diante de recessões, crises energéticas e mudanças inesperadas na inflação e no consumo.
Pesquisas mudaram a forma de compreender as crises econômicas
A contribuição dos economistas está relacionada à construção de modelos que consideram as decisões individuais de famílias e empresas para explicar os movimentos da economia como um todo.
Antes dessa abordagem, parte importante dos modelos macroeconômicos utilizava relações estatísticas entre indicadores agregados, como inflação, produção e consumo, para projetar cenários e orientar decisões governamentais.
As limitações dessas ferramentas ficaram evidentes durante os choques do petróleo na década de 1970, quando diversas economias enfrentaram simultaneamente inflação elevada e baixo crescimento.
Hall e Woodford contribuíram para desenvolver estruturas teóricas que incorporam o comportamento dos consumidores, as expectativas dos agentes econômicos e as decisões das empresas.
Essa mudança permitiu aperfeiçoar a análise dos efeitos das políticas monetária e fiscal sobre a atividade econômica.
Robert Hall investigou decisões de consumo das famílias
Robert E. Hall ganhou destaque com um estudo publicado em 1978 sobre o comportamento do consumo ao longo do tempo.
Sua pesquisa mostrou como as expectativas em relação à renda futura influenciam as decisões de consumo das famílias, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada da relação entre renda, poupança e atividade econômica.
O trabalho ajudou a estabelecer novas bases para os modelos utilizados na análise das oscilações econômicas.
Ao incorporar expectativas e decisões individuais, Hall ampliou a capacidade dos pesquisadores de compreender como mudanças nas condições econômicas afetam o consumo.
Michael Woodford aprimorou modelos usados por bancos centrais
Michael Woodford é reconhecido por suas contribuições ao desenvolvimento da macroeconomia Novo-Keynesiana, abordagem que combina fundamentos microeconômicos com a análise das flutuações econômicas.
Seus estudos ajudaram a explicar como as decisões de empresas sobre preços e as expectativas de consumidores e investidores influenciam a inflação e a atividade econômica.
O economista também aprofundou a compreensão sobre os efeitos das taxas de juros e da comunicação dos bancos centrais na condução da política monetária.
Esses avanços contribuíram para a formulação de modelos utilizados por autoridades monetárias na avaliação de cenários e na definição de medidas destinadas a conter a inflação ou estimular a economia.
Academia Sueca destaca impacto das pesquisas
Para o Comitê do Nobel de Economia, os estudos dos laureados forneceram uma base teórica mais consistente para compreender os efeitos das decisões econômicas individuais sobre os indicadores nacionais.
John Hassler, presidente do comitê, destacou que as contribuições dos pesquisadores fortaleceram os instrumentos utilizados por governos e bancos centrais para enfrentar choques econômicos.
A Academia Sueca ressaltou que os modelos desenvolvidos a partir dessas pesquisas permitem avaliar de maneira mais precisa como medidas fiscais e monetárias podem reduzir a intensidade das oscilações econômicas.
Prêmio será entregue em dezembro
O Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel foi instituído em 1968 pelo Sveriges Riksbank, banco central da Suécia, e concedido pela primeira vez em 1969.
Diferentemente das categorias tradicionais previstas no testamento de Alfred Nobel, a premiação de Economia foi criada posteriormente, mas segue os mesmos procedimentos de seleção e reconhecimento acadêmico.
A cerimônia oficial de entrega dos prêmios está prevista para 10 de dezembro, data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel.
Com a escolha de Hall e Woodford, a Academia Sueca reconhece pesquisas que ajudaram a estabelecer fundamentos para a elaboração de políticas econômicas e para a compreensão dos mecanismos que influenciam recessões, inflação e recuperação da atividade produtiva.
Da IstoÉ e Ansa