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No Pan de Lima, Brasil avaliará atletas para Olimpíada de 2020

Crédito: Luis ROBAYO / AFP

Pan de Lima (Crédito: Luis ROBAYO / AFP)

Mais do que as vagas olímpicas em disputa, o Pan de Lima, que terá na sexta-feira sua cerimônia de abertura, servirá ao Time Brasil como um termômetro para avaliar o nível dos atletas projetando os Jogos de Tóquio, em 2020. Mesmo sem muitas estrelas dos Estados Unidos, o foco do Brasil no Peru é fazer uma boa campanha em tempos de vacas magras no esporte nacional.

Se no ciclo anterior havia investimento maior de patrocinadores, neste os atletas estão tendo de lidar com menos recursos em suas preparações. Muitos parceiros estatais do esporte diminuíram o investimento, assim como algumas empresas privadas tiraram o pé drasticamente. Isso já era esperado, afinal, em 2016 o Brasil sediaria sua primeira Olimpíada e os investimentos, de modo geral, seriam maiores. Agora, eles reduziram.

“Isso é fato. Existiu um declínio de apoio financeiro na área privada. Mas o COB tem uma sustentabilidade através dos recursos provenientes das loterias, e temos dado sustentação às confederações, para aquelas que por algum motivo não tenham conseguido renovar ou conquistar novos patrocínios. Nós temos tomado conta dessa ação em parceria com as confederações”, informou ao Estado o presidente do Comitê Olímpico do Brasil, Paulo Wanderley.

Nessa conjuntura, os atletas estão tendo de lidar com a nova realidade, mas a cobrança por resultados, seja das confederações ou da própria torcida, sempre é grande. Para a maioria, o Pan é o momento de atrair os holofotes pelo espaço de mídia que os atletas podem receber.

“O Pan é uma análise, serve para a gente ter um parâmetro, uma comparação, para saber se estamos no caminho certo. Se estivermos, vamos acelerar, se não, vamos corrigir. Esse é o foco da participação do Brasil no Pan”, disse Paulo Wanderley, que está com a delegação brasileira em Lima e pretende ficar alguns dias na capital peruana para apoiar aos cerca de 800 membros do Time Brasil, entre atletas, técnicos e membros.


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A equipe nacional terá 485 competidores em 49 modalidades. Algumas não terão participação brasileira, como o hóquei sobre grama. O time masculino do basquete e do futebol não se classificaram. Já a seleção feminina de futebol também não poderá defender o título conquistado no Pan de Toronto, em 2015, por causa de um regulamento que desconsiderou o melhor time da América do Sul.

Para chefe de missão no Pan foi escolhido Marco Antônio La Porta, vice do COB. “Eu vejo o pessoal empolgado e percebo o Brasil em um momento novo. No Pan, nós somos protagonistas. Claro que tem os EUA, uma nação olímpica, difícil competir contra eles, mas a gente vê mais esportes contribuindo com as medalhas e esperamos um resultado bom”, comentou.

São 41 países na disputa do torneio, desde as principais potências continentais, como Estados Unidos e Canadá, passando por equipes que brigam diretamente por posição no quadro de medalhas como o Brasil, como Cuba, Colômbia e México, até nações que vão festejar se conseguirem somar qualquer pódio na competição em Lima.

A organização teve trabalho para tirar o Pan do papel, principalmente no início, quando houve problemas políticos entre os poderes no país. Aos poucos essa situação foi sendo contornada e os responsáveis pela disputa conseguiram entregar instalações dentro dos padrões olímpicos exigidos pelo COI.

Fora das áreas de competição, as dificuldades são maiores. Em algumas arenas ainda existem obras em andamento do lado de fora, seja de jardinagem ou para dar um padrão melhor para os acessos do público. Também há muito barro nas imediações e será bem difícil que tudo isso fique pronto antes das competições iniciarem.

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Obviamente que outro grande objetivo é conseguir confirmar o máximo de vagas olímpicas para os Jogos de Tóquio. Muitas modalidades vão dar classificação direta para a competição em 2020, por isso o esforço do COB em ter os melhores atletas em Lima. São os casos de três modalidades aquáticas, como polo aquático (vaga ao campeão no masculino e feminino), nado artístico (dueto e equipe) e saltos ornamentais (trampolim 3m e plataforma 10m). Já na natação em piscina, índices olímpicos podem servir de base para alguns países.

Também haverá vagas para handebol, hipismo (adestramento, saltos e CCE), tiro esportivo, vela (laser e laser radial), pentatlo moderno, tênis e surfe, mas neste caso, para o Brasil, as vagas valerão para os classificados pelo Circuito Mundial deste ano, onde o País tem seus melhores atletas.

Outras modalidades somam pontos no ranking, que ajuda a chegar mais perto da vaga olímpica, como atletismo, badminton, basquete 3 x 3, caratê, levantamento de peso, tae kwon do e tênis de mesa. Para a judoca Ellen Santana, que vai para seu primeiro Pan, o torneio tem tudo para ter um brilho verde e amarelo. “Estou bem preparada e vai dar tudo certo. Acho que vamos voltar para o Brasil com muitas medalhas”, acredita.

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