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No Iraque, dois manifestantes morrem durante protestos que pedem a retirada das tropas americanas

No Iraque, dois manifestantes morrem durante protestos que pedem a retirada das tropas americanas

Milhares de iraquianos, convocados pelo poderoso líder xiita Moqtada Sadr, percorrem as ruas de Bagdá para pedir a saída das tropas americanas - AFP

Dois manifestantes morreram nesta sexta-feira (24) em Bagdá durante choques com as forças de segurança locais, poucas horas depois de uma grande concentração de apoiadores do poderoso líder xiita Moqtada Sadr. Eles reivindicam a retirada das tropas americanas do Iraque.

“Fora, fora, estrangeiros”, “Sim à nossa soberania!”, repetia a multidão apoiadora de Sadr enquanto levantava bandeiras iraquianas durante a marcha. Homens, mulheres e crianças, em alguns casos vindos de outras cidades do Iraque, tiveram como ponto de encontro o bairro de Jadriya, na capital.

Moqtada Sadr tinha convocado uma “manifestação pacífica” contra a presidência americana, já que esses protestos perderam força desde a morte do general iraniano Qasem Soleimani, em Bagdá, no último 03 de janeiro.

Em comunicado lido para a multidão, Sadr pediu que as tropas americanas se retirassem do país, além de sugerir a anulação dos acordos em matéria de segurança firmados entre Bagdá e Washington e o fechamento do espaço aéreo iraquiano aos aviões militares americanos.

O líder xiita pediu a Trump para que não seja “arrogante” com os dirigentes iraquianos. “Se os EUA cumprirem as nossas exigências, o trataremos como um país que não ocupa o Iraque. Caso contrário, o consideraremos um país hostil”, disse.

A ONG francesa “SOS Chrétiens d’Orient” denunciou o desaparecimento de quatro colaboradores na capital iraquiana. Não se tem notícias dos três franceses e do iraquiano que figuram na lista desde a última segunda-feira. Os quatro homens “desapareceram no entorno da embaixada francesa”, declarou o diretor-geral da ONG, Benjamin Blanchard.

Até o momento “nenhum pedido de resgate” foi recebido, informou Blanchard.

Bagdá vive há meses uma ebulição política, com manifestações constantes contra o governo e a classe política, além de se opor à presença americana no território, após a morte do general iraniano Qasem Soleimani.

– Atraso –

Várias facções paramilitares iraquianas, como as pró-iranianas de Hashd al Shaabi, geralmente rivais de Sadr, apoiaram essa manifestação.

Um dos líderes dessas milícias, Qais al-Jazali, escreveu no Twitter: “A mensagem do povo a Trump foi clara: ou saem de forma voluntária ou serão expulsos”.

O aiatolá Alí Sistani, a maior autoridade xiita no Iraque, não prestou apoio à manifestação. Em seu sermão, nesta sexta-feira, lido por um dos seus representantes, Sistani apenas apoiou o direito dos cidadãos se manifestarem pacificamente a favor da soberania do país.

Ele também denunciou o atraso na formação de um novo governo.

O movimento protesta contra o governo – que pede eleições antecipadas, um primeiro ministro independente e o fim da corrupção – teme que suas exigências se tornem esquecidas por causa das mobilizações organizadas por Sadr.

Milhares de pessoas que denunciam a corrupção política também fizeram manifestações nesta sexta-feira, na praça Tahir, distante da concentração que defendia a retirada das tropas americanas.

Nesta semana, 14 manifestantes perderam a vida durante embates com a polícia, o que já somam 482 mortos desde o início dos protestos contra a corrupção.