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No Fórum de Davos, risco de monopolizar as vacinas gera debate

No Fórum de Davos, risco de monopolizar as vacinas gera debate

Chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pressionou as empresas farmacêuticas para a entrega das vacinas contra a covid-19 - World Economic Forum (WEF)/AFP

A União Europeia (UE) pressionou no Fórum de Davos as empresas farmacêuticas para que entreguem as vacinas prometidas contra a covid-19, enquanto África do Sul e os países menos desenvolvidos se preocupam que os mais ricos monopolizem os imunizantes.

Prestes a ultrapassar os cem milhões de casos de covid-19 no mundo, todos os discursos oficiais desta reunião anual da elite política e econômica mundial – realizada este ano por videoconferência – pedem cooperação.

No entanto, na prática, os países mais ricos tomaram a frente na corrida pela vacinação.

– Nacionalismo de vacinas –

As promessas desses países até agora não foram suficientes para tranquilizar os países menos desenvolvidos.


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O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que também foi convidado para discursar no Fórum, disse que “os países ricos do mundo estão acumulando essas vacinas”.

Essas acusações ecoam as repetidas advertências da Organização Mundial da Saúde (OMS) contra o “nacionalismo vacinal”.

“O nacionalismo vacinal pode servir para objetivos políticos a curto prazo, mas o interesse econômico a médio e longo prazo de cada nação é apoiar a equidade”, insistiu na segunda-feira seu diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Enquanto não acabarmos com a pandemia em todos os lugares, não a deteremos”, destacou.

Neste mesmo sentido, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesta terça-feira uma distribuição “justa”.

“O dinheiro é uma coisa, outra é a disponibilidade da vacina em tempos de escassez (…) e aqui o importante é ter uma distribuição justa”, disse a chanceler em uma intervenção no Fórum de Davos.

A África do Sul, oficialmente o país mais afetado do continente africano, adquiriu suas primeiras vacinas mediante negociações diretas entre o governo e o laboratório AstraZeneca, mas pagará 2,5 vezes mais por elas do que os países da União Europeia.

O mundo vive “um pânico vacinal”, disse em outro seminário o epidemiologista Seth Berkley, que preside a Aliança Global para a Vacinação (Gavi), uma das organizações que tentam garantir o fornecimento de doses para os países pobres.

Em um estudo encomendado pela Câmara de Comércio Internacional (CCI), os epidemiologistas calculam que, mesmo se as economias avançadas vacinarem sua população, os custos que incorreriam devido à sua interdependência podem variar entre 200 bilhões e 4,5 trilhões de dólares se os países menos desenvolvidos não tiverem acesso às vacinas.

“Isso é muito mais que os 38 bilhões de dólares que custaria fabricar e distribuir as vacinas em nível internacional”, diz o documento.

burs-aue/evs/pc/mb/aa

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