Internacional

No fechado reino da rainha

Monarca flexibiliza o isolamento e, mesmo diante do avanço da doença no país, retoma atividades públicas

Crédito: Ben Stansall / Pool via Reuters

RISCO Apesar dos 94 anos, rainha volta a participar de eventos oficiais: esforço para levantar ânimo dos britânicos (Crédito: Ben Stansall / Pool via Reuters)

Trata-se de uma espécie de privilégio real e de uma tentativa de levantar o ânimo dos britânicos em meio a uma terrível crise sanitária. O recrudescimento da pandemia do coronavírus não assustou e nem inibiu a rainha Elizabeth II que, em meio ao aumento dos números de casos da doença no Reino Unido, reforçou suas atividades públicas na semana passada e foi vista circulando sem máscara. A reaparição da monarca aconteceu justamente no momento em que surgem novas restrições de mobilidade e há um esforço nacional para controlar a doença, que parece entrar na sua segunda onda no país. Em outubro foram estabelecidas regras mais duras de circulação e de prestação de serviços. Reuniões fechadas entre parentes que não habitem a mesma casa estão proibidas, assim como encontros ao ar livre com mais de seis pessoas. Nos pubs, só serão atendidos clientes sentados no período entre 10hs e 17hs. Restaurantes fecham após as 22 horas e só podem receber pedidos para entrega. Em meio ao rigoroso controle, Elizabeth II, que completou 94 anos em abril e faz parte do grupo de risco, flexibilizou a própria quarentena e, cercada de cuidados, voltou a cumprir seus compromissos monárquicos.

INOPERÂNCIA Boris Johnson, que passou sete dias internado na UTI, é criticado por ter demorado para agir quando a doença surgiu: falta de proteção a idosos (Crédito:Isabel Infantes / AFP)

Com 800 mil casos e 44,3 mil mortos, segundo a Universidade Johns Hopkins, a Inglaterra é, hoje, o país mais afetado pela pandemia na Europa. O número de infectados dobra a cada dez dias e a aproximação do inverno começa a preocupar as autoridades sanitárias. “É preciso alertar a população, pois teremos um inverno duro pela frente”, disse o prefeito de Londres, Sadiq Khan. “Em breve, a cidade atingirá a média de 100 casos para cada 100 mil habitantes”. O primeiro-ministro Boris Johnson foi um dos contaminados pela Covid-19 e passou sete dias internado na UTI do hospital St. Thomas, em Londres, em abril. Johnson, que vem sendo criticado pela inoperância, parece ter se abatido depois do contágio pelo coronavírus. No início, até ser contaminado, ele era cético em relação ao alcance da pandemia. A oposição o questiona pelo fato dele ter demorado para agir quando a doença surgiu, não ter protegido os idosos em casas de repouso e não ter sido capaz de implantar um sistema de testes eficaz. Na família real, o único diagnóstico positivo confirmado para o coronavírus foi o do príncipe Charles, filho da rainha e primeiro na linha de sucessão ao trono.

“Ainda há muito que suportar, mas dias melhores virão: estaremos de novo
com nossos amigos
e com nossas famílias. Vamos nos reunir outra vez”
Rainha Elizabeth II

A rainha Elizabeth entrou em isolamento no Castelo de Windsor no dia 19 de março e passou vários meses na reclusão, sem qualquer contato com seus súditos. Durante a quarentena, ela passou um tempo com o seu marido, o príncipe Filipe, Conde de Edimburgo, no castelo Balmoral, na Escócia. A rainha esteve ausente de vários eventos durante a pandemia. Em abril, a tradicional saudação de armas reais para comemorar seu aniversário foi cancelada pela primeira vez desde 1952. Também foi cancelado o Trooping the Color, desfile militar realizado todos os anos para homenagear Elizabeth. Em vez disso, ela fez um pronunciamento oficial – apenas o quinto em 68 anos no torno – em que ressaltou a importância de todos ficarem dentro de suas casas para se protegerem. Comparou também a resposta da população britânica na crise atual ao esforço dos soldados na 2ª Guerra Mundial. Só no dia 30 de maio, a rainha fez sua primeira aparição pública desde o início do bloqueio. Ela pode ser vista andando a cavalo no Home Park, junto ao Castelo de Windsor. Apaixonada por atividades eqüestres, montava o pônei Balmoral Fern, de 14 anos.

 

Cuidado redobrado

Na semana passada, porém, Elizabeth participou do primeiro ato público fora das residências oficiais, depois de sete meses. Acompanhada do neto, o príncipe William, a rainha visitou o Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa, em Port Down, e conversou com os cientistas sobre a pandemia no país. As 48 pessoas que tiveram algum contato com ela fizeram o teste de coronavírus com antecedência. Além disso, a rainha e o neto tentaram manter uma distância segura das pessoas presentes. Apesar da aparente liberalidade, todos os cuidados foram tomados para protegê-la. As novas regras estabelecidas pelo governo britânico para controlar a pandemia afetam uma região habitada por cerca de 11 milhões de pessoas e quem burlar as restrições pode receber multas que variam de 200 libras (R$ 1,4 mil) a 6,4 mil libras (R$ 45 mil). Aglomerações com mais de 30 pessoas podem ser penalizadas com 10 mil libras (R$ 70 mil). A rainha, obviamente, é isenta de qualquer tipo de multa. E suas aparições, ainda que temerárias, servem para trazer uma sensação de normalidade para um país que luta ferozmente contra a Covid-19.

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