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No Curdistão iraquiano, líder do Parlamento luta em mundo político masculino

No Curdistão iraquiano, líder do Parlamento luta em mundo político masculino

Líder do Parlamento no Curdistão iraquiano, Rewaz Faiq - AFP


Rewaz Faiq, uma das duas únicas mulheres que presidem um Parlamento no Oriente Médio, rompeu os códigos no Curdistão iraquiano, onde apenas um punhado de homens e seus clãs controlam tudo.

Aos 43 anos, esta curda, conhecida por sua sinceridade, nunca abandona seus trajes tradicionais e coloridos para dirigir os assuntos do Parlamento da região autônoma do norte do Iraque, onde mais de oito em cada dez mulheres são donas de casa.

Membro da direção da União Patriótica do Curdistão (UPK) – que governa em Suleimaniya, segunda cidade do Curdistão, mas é minoritária em Erbil, a capital onde está a sede do Parlamento -, ela sabia que os desafios seriam enormes quando foi eleita em julho de 2019 para liderar o Parlamento. Rewaz chegou a esta Casa seis anos antes.

Ela tem apenas uma homóloga na região, Fawzia Zainal, que foi eleita presidente do Parlamento do Bahrein no final de 2018.

Aos 15 anos, Rewaz Faiq viu como o governo de Saddam Hussein destruía seu povo e decidiu se unir à oposição comunista antes de passar para a UPK, então liderada então pelo falecido presidente da República iraquiana, Jalal Talabani.

Faiq afirma que, “hoje, apesar de a sociedade estar mais aberta e tolerante à questão da participação das mulheres na política, o UPK tem menos mulheres políticas”.

– A “Benazir Bhutto curda” –

Todos os partidos “estão repletos de dominação masculina, discriminação e abusos sexuais”, e as mulheres se tornam facilmente “reféns dos benefícios pessoais e políticos dos políticos homens”, diz Faiq.

Esta doutora em direito não tem papas na língua para se referir ao que chama de “falsos políticos”, figuras que são apenas midiáticas, segundo ela, em um país em que quase todos os veículos de comunicação são afiliados a partidos.

E, em uma sociedade tribal onde mulheres são proibidas de comparecerem aos funerais e aos conselhos tribais, ela não conta com esse espaço para se tornar conhecida, ou se impor.

Também não tem a oportunidade de tentar mudar os costumes tribais que ainda hoje custam a vida das mulheres, desde os chamados “assassinatos de honra” até os suicídios de mulheres e meninas que são levadas ao limite.

Para a ativista de direitos femininos Avan Jaff, apesar de tudo, Faiq é para o Curdistão o que “Benazir Bhutto” foi para o Paquistão.

Bhutto foi, em 1988, a primeira mulher a liderar um país muçulmano, e Faiq, disse Jaff à AFP, “mudou a visão da política curda” e “deu esperança para todas as mulheres do Curdistão com seu carisma”.

Em um país onde funcionários, ativistas e internautas são acusados regularmente por criticarem os políticos, Faiq disse publicamente: “Se me alvejarem, eu os perdoo; mas se alvejarem o Parlamento, não posso desculpá-los”.

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