Comportamento

No ar CNN Brasil

Com mais de 17 horas de programação ao vivo e presença em diferentes plataformas, a chegada da franquia brasileira da emissora americana revoluciona o mercado de notícias televisivas no País

Crédito: Divulgação

CREDIBILIDADE Na abertura, da esq. à dir., o CEO e sócio da CNN Brasil, Douglas Tavolaro, e os apresentadores Mari Palma, Reinaldo Gottino, Evaristo Costa, Luciana Barreto, Monalisa Perrone, William Waack, Phelipe Siani, Daniela Lima, Cassius Zeilmann e Taís Lopes. O canal terá mais de 450 funcionários, 160 deles jornalistas. (Crédito: Divulgação)

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No próximo domingo 15, o jornalismo brasileiro assistirá ao início de um novo e importante capítulo em sua história: a estreia do canal de notícias CNN Brasil, em português, nas principais operadoras de televisão, redes sociais e plataformas digitais do País. O projeto é audacioso, e vem sendo preparado com um ano de antecedência para chegar com poder ao mercado de notícias. Exemplo disso é a quantidade de acontecimentos ao vivo que o canal enfrentará logo em sua data de estreia. No dia 15 de março o Brasil estará fervendo com as manifestações a favor do governo Bolsonaro e contra o Congresso Nacional e o STF. As condições do dia escolhido mostram o quanto a equipe se sente preparada para a proposta de comentar e reportar os principais acontecimentos do dia com uma programação em tempo real, e 100% digital, em diferentes plataformas.

O investimento é estrondoso. Por trás dele, está Rubens Menin, principal acionista da franquia do canal americano. Cofundador e CEO da MRV, maior construtoras do Brasil, Meni ocupa a lista dos bilionários do mundo da Forbes. Considerado o responsável por trazer a CNN para o Brasil, Menin já é o mais novo figurão do time dos poderosos empresários midiáticos brasileiros. A estrutura com a qual a CNN Brasil estreará é algo nunca antes visto no País: nove toneladas de equipamentos, quatro mil metros quadrados de estúdio e 450 profissionais contratados, sendo 160 deles jornalistas, com cerca de dez meses de antecedência à estreia do canal. A sede principal será em São Paulo, mas já tem um braço em Brasília e se prepara para inaugurar um escritório no Rio de Janeiro. Diante da crise financeira pela qual passa o Brasil, a chegada do canal é um respiro e abre novas oportunidades para os profissionais do mercado de comunicação. Mesmo começando apenas esse mês, desde o primeiro semestre do ano passado jornalistas de peso vêm sendo contratados. Com remunerações altas, a CNN Brasil conseguiu tirar de outras emissoras grandes nomes de seu quadro de funcionários. Da Rede Globo, por exemplo, vieram a apresentadora Monalisa Perrone e os repórteres Phelipe Siani e Mari Palma. Diante de propostas irrecusáveis e a oportunidade de ingressar em um canal de prestígio internacional, eles não pensaram duas vezes. Muitos eram também apostas da RecordTV, e seu desligamento incomodou a emissora de Edir Macedo. Douglas Tavolaro, por exemplo, foi vice-presidente de Jornalismo da Rede Record por dez anos e a deixou para ser um dos sócios, CEO e founder da CNN Brasil. Levou consigo nomes importantes principalmente no comando de uma grade ao vivo de programação, como o jornalista Reinaldo Gottino, que estava à frente do “Balanço Geral”, um sucesso que foi capaz de desbancar a Globo em audiência.

A vinda da CNN Brasil também fez com que o mercado se movimentasse em busca de novos formatos de conteúdo. Na quinta-feira 5, a RecordTV fechou uma parceria com a Fox News para intercambiar séries e documentários. Já a Globo News aumentou a sua programação ao vivo para 17 horas e 30 minutos, meia hora a mais que a proposta anunciada pela CNN Brasil.

A maior do mundo

Quando, em 1980, o empresário Ted Turner fundou A Cable News Network em Atlanta, sul dos Estados Unidos, não havia concorrência para as três grandes emissoras abertas americanos: CBS, NBC e ABC, que operavam de Nova York. Turner detectou um nicho de mercado: a televisão a cabo e por assinatura começava a engatinhar e a morder parcelas de um público que exigia um serviço de notícias mais intenso em um mundo que passava por transformações. No início, o canal teve dificuldades de se afirmar. Muitos espectadores desistiam de assiná-lo, pois, apesar de anunciar 24 horas de notícias, repetia o conteúdo de notícias. Tanto que o público passou a chamar a CNN de “chicken noodle network” (rede da sopa de macarrão) porque era repetitiva e insossa como sopa caseira. Havia pouca notícia em 1980 para tanto tempo de exposição. Mas o mundo mudou, a globalização acelerou a quantidade e a necessidade de notícias. A partir dos anos 1990, a televisão por assinatura ganhou impulso e a CNN ampliou sua programação e gerou canais que fizeram história, como a CNN International. Os fatos impulsionaram as coberturas extensivas mundiais, a partir da eclosão da primeira Guerra do Golfo, em 1991. No fim do século XX, surgiram subsidiárias como a CNN en Español e franquias, como a CNN Türk, que opera em inglês em Istambul e segue uma agenda pró-governo local. O ápice da cobertura ao vivo se deu com o 11 de setembro, quando os repórteres da CNN cobriram o atentado às Torres Gêmeas em Nova York para o mundo inteiro.

NO COMANDO O empresário Rubens Menin é o principal acionista da franquia brasileira do canal americano. Cofundador e CEO da MRV, maior construtora do Brasil, ele ocupa a lista da Forbes dos bilionários do mundo (Crédito:Leo Drumond / NITRO)

Uma nova mudança aconteceu em 2005, com a saída de Ted Turner do comando da rede. Ela passou a produzir notícias em multiplataformas: a partir de um núcleo de produção, todas os canais eram alimentados com conteúdo. Foi este método de hub noticioso que serviu como modelo para outras mídias, principalmente para os canais de YouTube no início do século XXI. Um dos pilares da emissora sempre foi a isenção jornalística e a não ingerência de pautas de governos na sala de redação. Essa tendência foi perdendo a eficácia a partir da campanha de Donald Trump, em 2016, quando todas as mídias começaram a tomar partido. Trump deu início a uma campanha contra a CNN e passou a apoiar a concorrente Fox News. A situação obrigou a emissora a se posicionar à centro-esquerda do espectro político americano. No Brasil, ela irá tropicalizar a pauta e pretende buscar isenção jornalística. Pelo menos essa é a proposta do Conselho Editorial independente que comporá o canal. Com jornalistas brasileiros e internacionais, entre eles a ex-correspondente da CNN Internacional do Rio de Janeiro Shasta Darlington, e um advogado que tirará as dúvidas sobre as questões legais do noticiário, o objetivo é manter a autonomia: “Não seremos nem de direita, nem de esquerda”, disse Douglas Tavolaro, CEO e founder do canal. “Nosso negócio é o jornalismo profissional: isento, transparente e rigoroso.”

ESTRUTURA DE PESO Nove toneladas de equipamentos, quatro mil metros quadrados de estúdio e sede em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro (Crédito:Divulgação)

 

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