Nikolas Ferreira é alvo de ações após defender captura de Lula pelos EUA

Parlamentares afirmam que 'ninguém está acima da lei' e pretendem acionar órgãos federais contra o deputado

Agência Câmara
Nikolas Ferreira (PL-MG) Foto: Agência Câmara

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) é alvo de ações após publicar em suas redes sociais uma montagem em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece sendo capturado por agentes estadunidenses, em uma paródia à prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), junto ao professor Juliano Medeiros, ex-presidente nacional do PSOL, anunciaram que pretendem acionar a PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Nikolas por sugerir uma invasão dos Estados Unidos para capturar Lula.

“Ninguém está acima da lei. Por isso Ivan Valente e eu estamos apresentando uma representação na PGR contra Nikolas Ferreira. Nenhum parlamentar está protegido pela imunidade do cargo quando se trata se sugerir o sequestro do presidente do Brasil e uma invasão estrangeira”, escreveu Juliano.

O vereador de Florianópolis (SC) Leonel Camasão (PSOL) também usou as redes sociais para informar que pretende fazer uma representação contra Nikolas Ferreira no Ministério Público Federal. Segundo o parlamentar, quando o deputado federal compartilha uma imagem adulterada de Lula algemado por agente estadunidenses, “atenta contra a Lei n° 14.197/2021 (crimes contra o Estado Democrático de Direito)”.

Ataque à Venezuela

O líder deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, deve comparecer a um tribunal de Nova York nesta segunda-feira, 6, para enfrentar acusações de tráfico de drogas, enquanto a Organização das Nações Unidas examinaria a legalidade da operação extraordinária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para capturá-lo.

Na maior intervenção dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, as forças especiais norte-americanas chegaram a Caracas em helicópteros no fim de semana para romper o cordão de segurança de Maduro e prendê-lo na porta de uma sala segura.

Embora tenha denunciado Maduro como ditador e chefe do tráfico de drogas, que inundou os EUA com cocaína, Trump não escondeu que deseja deter uma parcela das riquezas petrolíferas da Venezuela.

O país tem as maiores reservas do mundo — cerca de 303 bilhões de barris, principalmente de petróleo pesado na região do Orinoco. Mas o setor está em declínio há muito tempo devido à má administração, ao subinvestimento e às sanções dos EUA, com uma produção média de 1,1 milhão de barris por dia (bpd) no ano passado, um terço de seu apogeu na década de 1970.

Depois de denunciar a captura de Maduro como um sequestro e uma apropriação colonial de petróleo, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, mudou de tom no domingo, dizendo que era uma prioridade manter relações respeitosas com Washington.

“Convidamos o governo dos EUA a trabalhar juntos em uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado dentro da estrutura do direito internacional para fortalecer a coexistência duradoura da comunidade”, disse Rodríguez. “O presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra.”

Antes de sua declaração, Trump havia dito que poderia ordenar outro ataque se a Venezuela não cooperasse com os esforços dos EUA para abrir sua indústria petrolífera e acabar com o tráfico de drogas. Trump também ameaçou agir na Colômbia e no México e disse que o governo comunista de Cuba “parece estar pronto para cair” por conta própria.

Maduro, um ex-motorista de ônibus, líder sindical e ministro das Relações Exteriores de 63 anos, nomeado pelo moribundo Chávez para substituí-lo em 2013, está preso no Brooklyn, junto com sua esposa Cilia Flores.

Eles deveriam comparecer ao tribunal federal de Manhattan às 12h (horário local (14h em Brasília). Maduro é acusado de supervisionar uma rede de tráfico de cocaína que se associou a grupos violentos, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Zetas, os rebeldes colombianos das Farc e a gangue venezuelana Tren de Arágua.

Maduro há muito tempo nega todas as alegações, dizendo que elas eram uma máscara para os projetos imperialistas sobre o petróleo da Venezuela.

Trump também justificou a captura de Maduro como uma resposta a um influxo de imigrantes venezuelanos — um em cada cinco deixou o país nos últimos anos durante um colapso econômico — e à nacionalização dos interesses petrolíferos dos EUA décadas atrás.

“Estamos recuperando o que eles roubaram”, disse ele no domingo, acrescentando que as empresas petrolíferas dos EUA retornarão à Venezuela e reconstruirão o setor em declínio.

“Nós estamos no comando”, afirmou.

*Com informações da Reuters