Nikolas Antunes cita ‘dobradinha’ de Record e HBO, e reflete sobre arquétipo de galã

À IstoÉ Gente, ator pernambucano fala de 'Dona Beja', o retorno à TV aberta e como sua origem multicultural e posicionamento político moldam sua carreira

Reprodução/HBO
Nikolas Antunes Foto: Reprodução/HBO

Com uma carreira que transita com fluidez entre o cinema, o streaming e a TV aberta, Nikolas Antunes vive um momento de efervescência profissional. O ator, que pode ser visto na releitura de “Dona Beja”, na HBO Max, e integra produções na Record, conversou sobre os desafios de seus novos personagens e a mudança na percepção do público sobre o que significa ser um “galã” nos dias de hoje.

O retorno ao “Povão” à TV aberta

Para Nikolas, a diferença entre os veículos é clara, mas complementar. Enquanto o cinema permite uma profundidade “menos industrial”, é na TV aberta que ele encontra o calor do público imediato. “Eu adoro fazer TV aberta porque já tenho laços com as pessoas. É interessante ter esse retorno na padaria, no mercado. O público avisa para ficar esperto com tal personagem… Esse feedback do ‘povão’ é maravilhoso”, afirma o ator.

Do subúrbio do Rio ao Sertão de 1700

Pernambucano de Recife, mas criado no bairro de Campo Grande, subúrbio do Rio de Janeiro, Nikolas traz na bagagem uma vivência rica que empresta aos seus personagens. Em “Dona Beja”, ele interpreta Waldo, um personagem de época que exigiu uma caracterização rústica — “barbudaço e cabeludo” — e uma preparação intensa baseada no método Meisner, sob orientação de Patrick Sampaio.

Curiosamente, o papel de Waldo não foi o planejado inicialmente. “Eu testei para um personagem e não rolou. Quando estava prestes a fechar outro trabalho, veio o convite para o Waldo. A gente acha que controla as coisas, mas não controla muito”, conta. O universo de 1700 não é estranho ao ator, que já havia frequentado essa estética em “Liberdade, Liberdade” (2016), da TV Globo.

A desconstrução do galã

Questionado sobre o rótulo de galã, comum a atores com seu perfil físico, Nikolas é enfático: o conceito mudou. Para ele, a beleza hoje está atrelada ao posicionamento e à representatividade, citando Wagner Moura como uma grande inspiração. “A figura do galã se dissolveu. A sociedade está interessada em ver qualidade de interpretação, profundidade e o que o artista representa. O negócio deu uma mudada, e que bom! As pessoas querem ver pessoas interessantes, não apenas atributos físicos.”

Política e direitos LGBTQIA+

O ator também refletiu sobre sua participação em “Além da Ilusão” (2023), da TV Globo, que abordou temas sensíveis como o beijo gay entre dois homens. Nikolas acredita que o Brasil vive um momento de avanço progressista, apesar das resistências. “O campo progressista vem ganhando terreno. Eu me sinto representado pela luta de todos, mesmo não estando na ‘ponta da lança’. Se eu não sou gay, tenho amigos, irmãos e familiares que são. A luta deles é a minha”, diz.

História de amor raíz

Por fim, Nikolas compartilhou a história cinematográfica de seus pais. Sua mãe, acreana de Tarauacá, conheceu seu pai, pernambucano, em uma festa. Após dois dias do primeiro encontro entre os dois , ele a pediu em casamento, partiu para trabalhar e juntar dinheiro, e voltou um ano depois para buscá-la.

Embora se considere um romântico à moda antiga, Nikolas confessa estar solteiro no momento. “Não acredito muito em procurar, as coisas acontecem quando têm que acontecer. Estou em paz, me dedicando aos meus projetos”, finaliza.

 

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