Nicolas Prattes revela ‘novos desafios’ na carreira e vida pessoal

Ator reflete sobre papéis complexos, a vida pública intensificada após o casamento com Sabrina Sato e a busca por equilíbrio

Globo/Ellen Soares
Nicolas Prattes caracterizado como Mirinho, em "A Nobreza do Amor" Foto: Globo/Ellen Soares

Nicolas Prattes, aos 29 anos, expande seu repertório artístico na televisão e no cinema, interpretando o vilão Mirinho em “A Nobreza do Amor” e o cético Daniel em “O Advogado de Deus”.

O ator, casado com Sabrina Sato, aborda a intensa exposição pública e os desafios de equilibrar a vida pessoal e profissional. Em entrevista ao Estadão, ele reflete sobre seus papéis recentes e a maturidade adquirida diante do constante escrutínio.

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O que aconteceu

  • O ator Nicolas Prattes amplia seu repertório profissional ao atuar em um papel de vilão na TV e em um drama espiritual no cinema.

  • Ele reflete sobre os desafios de interpretar personagens complexos e a importância de não romantizar a maldade de seu antagonista, Mirinho.

  • Prattes compartilha sua visão sobre a vida pessoal exposta, o casamento com Sabrina Sato e a necessidade de manter o equilíbrio e a saúde mental frente ao olhar público.

Um vilão que incomoda e não busca redenção

Conhecido por interpretar personagens mais leves, Nicolas Prattes assume em Mirinho seu primeiro grande antagonista na televisão. Ele afirma que não busca suavizar as ações do personagem, mesmo diante de parte do público que demonstra empatia.

“Eu não defendo. Acho que é importante também dar o exemplo do que não se fazer. Não espero redenção, nem passada de pano”, declara o ator sobre a complexidade moral de seu papel.

Segundo Prattes, o comportamento de Mirinho está diretamente ligado à falta de afeto na infância, especialmente na relação com o pai. No entanto, essa construção não justifica suas escolhas, apenas ajuda a compreendê-las.

“Existem dois caminhos para quem não recebe amor: ou a pessoa aprende a dar, ou passa a não suportar a felicidade do outro. O Mirinho é esse segundo caso”, analisa.

Ao longo da trama, o personagem se torna progressivamente mais sombrio. Nicolas Prattes adianta que a história reserva uma virada importante, revelando um lado ainda mais extremo do vilão. “Ele começa mais contido, mas vai se mostrando alguém capaz de tudo para conseguir o que quer.”

Do ceticismo à espiritualidade no cinema

Se na televisão o ator mergulha em um personagem marcado por conflitos e distorções emocionais, no cinema ele percorre um caminho de transformação. Em “O Advogado de Deus”, Nicolas Prattes interpreta Daniel, um homem inicialmente cético que passa a questionar suas próprias crenças após vivenciar situações fora do comum.

“Ele começa quase ateu e vai sendo colocado diante de coisas que não consegue explicar. Isso faz com que ele passe a entender que cada um tem uma missão aqui”, explica o ator sobre o enredo.

A preparação para o longa-metragem foi intensa e, ao mesmo tempo, acelerada. Nicolas Prattes teve cerca de um mês para ler o livro que inspirou a produção e construir o personagem. O processo, segundo ele, ultrapassou o campo profissional.

“Mexeu muito comigo. Foi uma experiência muito forte, não só como ator, mas como pessoa”, confessa.

O filme estreou na última quinta-feira, 16, nos cinemas e é baseado no best-seller espírita de Zíbia Gasparetto e Lucius.

A vida pessoal como ponto de equilíbrio

Com uma rotina que envolve gravações, divulgação e novos projetos, Nicolas Prattes aponta a família como base para manter o equilíbrio. Casado com Sabrina Sato há um ano, ele afirma que a relação é central para sua saúde emocional e, consequentemente, para o trabalho.

“Minha família me faz ficar bem, e eu preciso ficar bem para estar bem no meu trabalho, ter saúde mental para seguir em frente motivado a me descobrir ainda mais como ator. Minha família sempre foi a minha base, não existe motivo para ficar longe”, destaca.

O ator lembra que, mesmo em períodos de trabalho fora do País, busca manter essa proximidade com os entes queridos.

“Passei seis semanas fora do Brasil filmando, quando eu tinha folga, Sabrina ia me encontrar na Argentina, aí eu voltava para o Brasil, ficava um pouco. E voltava completamente carregado, bateria máxima. Para mim, a coisa mais importante nesses momentos é essa união, porque é isso que me dá força”, relata.

Como Nicolas Prattes lida com a exposição e as redes sociais?

A presença constante nas redes sociais e o interesse do público por sua vida pessoal são encarados com naturalidade por Nicolas Prattes, que cresceu diante das câmeras desde os 18 anos, quando estreou em “Malhação”.

Ao mesmo tempo, ele faz uma leitura crítica sobre o peso que o ambiente digital ganhou na forma como as pessoas se enxergam atualmente.

“Tem gente que se baseia muito por isso, pelo que acontece dentro desse retângulo aqui, que é o telefone. E eu acho que talvez esse seja o grande mal hoje em dia”, pondera.

O ator destaca que faz parte de uma geração de transição e acredita que isso influencia diretamente sua forma de lidar com a exposição. “Eu fui uma das últimas gerações que teve uma infância sem o tablet. Então eu sei que a vida é para além disso.”

Com mais de uma década de carreira na TV, Nicolas Prattes entende que o interesse do público por sua vida pessoal é consequência direta da proximidade construída ao longo dos anos.

“As pessoas estão acostumadas a me ver desde os 18 anos. Eu faço novela todo ano, estou dentro da casa delas. É natural que exista esse carinho, essa curiosidade de saber quem é esse cara fora da tela”, analisa.

O relacionamento com Sabrina Sato, amplamente acompanhado nas redes, intensificou ainda mais esse olhar, algo que ele vê com leveza. “Calhou de eu casar com a maior apresentadora deste País, uma mulher maravilhosa. E o público sabe disso. A gente juntou os trapos e eu sinto muito carinho das pessoas.”

Nem todos os comentários, porém, seguem essa linha. Ainda assim, Nicolas Prattes afirma que aprendeu a lidar com críticas sem deixar que elas afetem sua percepção sobre si mesmo.

“Eu uso aquela frase que é a maior verdade: “Jesus Cristo foi crucificado, quem sou eu na fila do pão?””, diz, com bom humor.

Para ele, o ponto central está em não terceirizar a própria identidade. “A gente precisa viver com saúde mental baseado no que a gente sabe que é. Eu sei o homem que eu sou, o marido, o padrasto, o filho, o ator. Eu me pauto por isso.”

E conclui, com objetividade: “Qualquer coisa para além disso não está no meu controle.”