A Nicarágua mantém uma “extensa” rede transnacional para vigiar e intimidar opositores no exílio, que afeta “centenas de milhares” de pessoas, advertiu nesta terça-feira (10) um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU.
Um relatório elaborado pelos especialistas “detalha uma extensa arquitetura transnacional de vigilância e inteligência utilizada para monitorar, intimidar e atacar as centenas de milhares de nicaraguenses que vivem no exterior”, afirmou o grupo em comunicado.
No relatório, que será apresentado em 16 de março ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, os especialistas afirmam que a estrutura sustentada pelo governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo na Nicarágua inclui o “Exército, a polícia, autoridades migratórias (… e) missões diplomáticas”.
Segundo o comunicado, “o governo privou arbitrariamente da nacionalidade 452 nicaraguenses, deixou milhares de outros exilados em situação de apatridia de fato ao se negar a renovar ou fornecer documentos e impediu muitos de retornar à Nicarágua”.
O texto acrescenta que “desde 2018, recursos públicos foram desviados para financiar a repressão por meio da criação de uma estrutura paralela dentro do partido governista”.
Jan-Michael Simon, presidente do grupo de especialistas, afirmou no comunicado que “a repressão e a corrupção institucional se tornaram o método de governo na Nicarágua”.
“A perseguição política é financiada pelo Estado, executada por meio de suas instituições e se estende além das fronteiras para garantir que ninguém – absolutamente ninguém – se interponha no caminho do regime”, acrescentou Simon.
O comunicado também afirma que “foram relatados pelo menos doze casos de assassinatos ou tentativas de assassinato contra críticos no exílio, incluindo o assassinato em junho de 2025 na Costa Rica do major reformado do Exército e crítico do governo Roberto Samcam”.
Outro integrante do comitê de especialistas, Reed Brody, afirmou que “o uso indevido e o desvio de recursos públicos contribuíram diretamente para a prática de graves violações de direitos humanos”.
Esse grupo de investigação é um órgão independente com mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Foi criado em março de 2022 e tem a missão de conduzir investigações aprofundadas sobre os abusos cometidos na Nicarágua desde abril de 2018, quando manifestações contra o governo foram reprimidas de forma sangrenta.
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