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Nevada recebe campanha democrata; Sanders se defende de suposto apoio russo

Nevada recebe campanha democrata; Sanders se defende de suposto apoio russo

O pré-candidato democrata Bernie Sanders em coletiva de imprensa em Santa Ana, Califórnia, 21 de fevereiro de 2020 - AFP

Os candidatos democratas se preparavam nesta sexta-feira (21) para a prévia em Nevada, estado com uma importante população latina, onde o senador Bernie Sanders, que chega como favorito, poderia acumular uma vantagem importante para ganhar a indicação e enfrentar o presidente Donald Trump nas eleições de novembro.

As assembleias de cidadãos (“caucus”) começarão no sábado ao meio-dia e serão organizadas nos característicos cassinos e áreas semidesérticas desse estado do oeste dos Estados Unidos, onde Sanders busca consolidar uma vantagem antes da votação da “Super Terça-Feira” de 3 de março, na qual 14 estados votam simultaneamente.

Na véspera do evento, Sanders, exigiu que a Rússia “mantenha-se afastada” das eleições americanas após a divulgação de notícias sobre uma suposta interferência do governo de Vladimir Putin na corrida pela Casa Branca com o objetivo de apoiar sua campanha.

“Não me interessa, francamente, quem Putin quer como presidente “, declarou Sanders, o favorito na disputa democrata para a escolha do adversário de Donald Trump em novembro.

A votação em Nevada entre os democratas se desenvolve sob pressão para evitar que ocorra um caos similar ao do estado de Iowa, em 3 de fevereiro, onde um aplicativo utilizado para transmitir os resultados apresentou problemas e gerou confusão sobre o resultado.

O presidente Trump fez piada sobre o processo das primárias democratas.

“Ouvi dizer que seus computadores estão tão ruins como os de Iowa”, declarou o republicano, durante um ato realizado em Las Vegas.

– Sanders contra Bloomberg –

Nas pesquisas realizadas antes das primárias, Sanders lidera entre os democratas, com 30% da intenção de voto, com uma grande vantagem sobre seu concorrente mais próximo, o ex-vice-presidente Joe Biden, que tem 16%.

Para muitos candidatos, este é um momento chave na disputa e vários deles enfrentam graves problemas orçamentários para a próxima votação em 29 de fevereiro na Carolina do Sul, ameaçando a continuidade de suas campanhas.

Não é o caso do ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, que até agora superou tudo o que foi gasto pelo ex-presidente Barack Obama em seu esforço para conseguir a reeleição em 2012.

Segúndo a empresa Advertising Analytics, Bloomberg investiu 364 milhões de dólares de sua fortuna pessoal em anúncios publicitários.

O magnata escolheu um caminho incomum para tentar obter a indicação democrata, pulando as quatro primeiras prévias para se concentrar na “Super terça-feira”.

Muitos de seus rivais ficaram indignados com o nível de gastos.

“Somos uma democracia. Uma pessoa, um voto. Não um cara com uma fortuna de 60 bilhões comprando uma eleição”, disse Sanders à rede de televisão CBS.

O senador por Vermont, que se define como um “socialista democrático”, deu outros golpes em Bloomberg, alegando se surpreender com o fraco desempenho do milionário no debate da quarta-feira.

Naquele dia, Bloomberg foi atacado por vários rivais por comentários sexistas, acordos de confidencialidade assinados por suas empresas com várias mulheres e por suas políticas de segurança quando ele era prefeito de Nova York, que marcou de forma transparente a discriminação contra latinos e afrodescendentes.

A maior parte dessas críticas ficou sem resposta.

Com uma mensagem progressista a favor de uma reforma da saúde e um plano de combate às mudanças climáticas, Sanders está do lado oposto de Bloomberg, liderando a arrecadação de campanha com base em pequenas doações de pessoas físicas.

– Evitar um fiasco –

Suas críticas a Bloomberg durante o debate também serviram à senadora Elizabeth Warren para recuperar o ar depois dos escassos resultados que ela obteve em Iowa e New Hampshire.

A pré-candidata disse que recebeu cinco milhões em doações desde quarta-feira.

“Lutarei com unhas e dentes para construir um país que funcione para todos”, afirmou.

Outro aspirante que chega a esta fase do processo de escolha sem muitas certezas é Joe Biden, que apesar de ter começado como favorito, vai perdendo forças, apear de ter ficado em quarto em Iowa e quinto em New Hampshire.

O ex-vice-presidente aspira a obter melhores resultados em Nevada e Carolina do Sul, estados com um forte peso das comunidades negras e latinas, que lhe são, a princípio, mais favoráveis que as brancas, predominantemente em Iowa e New Hampshire.

Biden garantiu mais fôlego antes da votação ao receber o apoio do grupo Latino Victory, que enfatizou que o país precisa de um líder experiente.

O presidente do Partido Democrata de Nevada, William McCurdy, disse que estava fazendo todo o possível para evitar a repetição do que aconteceu em Iowa.