TEL AVIV, 30 NOV (ANSA) – O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, que é alvo de um processo por suspeita de corrupção, apresentou um pedido formal de graça para o presidente Isaac Herzog, que tem sido pressionado pelo governo dos Estados Unidos a livrar o primeiro-ministro do risco de condenação.
“Peço que considere me conceder um indulto para que eu possa continuar a trabalhar plenamente pelo bem do Estado de Israel, sem que o processo judicial em curso divida o povo e influencie as decisões do governo”, escreveu Netanyahu em sua carta a Herzog.
“O processo judicial contra mim contribui ainda mais para essas divisões”, salientou o premiê, citando uma suposta “necessidade de reconciliação nacional entre todos os cidadãos”.
Além disso, em um vídeo divulgado nas redes sociais, Netanyahu alegou que gostaria de levar o processo “até o fim” para ser absolvido, mas que “a realidade da segurança e da situação política e o interesse nacional impõem outro caminho”.
“A continuação do julgamento está nos destruindo por dentro e aprofundando as nossas divisões, mas o que me fez tomar a decisão foi o fato de estarem me pedindo para depor três vezes por semana. É um pedido impossível”, justificou.
Netanyahu também fez questão de lembrar que o presidente dos EUA, Donald Trump, já enviou uma carta a Herzog cobrando indulto para o primeiro-ministro.
“O presidente Trump pediu o fim imediato do processo, para que juntos possamos promover interesses vitais compartilhados entre Israel e os Estados Unidos durante uma janela de oportunidade que dificilmente se repetirá”, declarou.
O gabinete de Herzog, por sua vez, disse que o presidente analisará o pedido com “responsabilidade e sinceridade”, ciente de que “se trata de uma solicitação extraordinária que comporta implicações significativas”. O chefe de Estado, no entanto, também sofre pressões para não perdoar o premiê.
“Dirijo-me ao presidente Herzog: não é possível conceder o indulto a Netanyahu sem uma admissão de culpa, a expressão de arrependimento ou a saída imediata da vida política”, afirmou o líder da oposição israelense, Yair Lapid.
O primeiro-ministro é acusado de corrupção, fraude e abuso de confiança em três casos distintos, incluindo o suposto recebimento do equivalente a mais de R$ 1 milhão em presentes de empresários, como charutos, joias e espumantes, além de cobertura favorável em meios de comunicação, em troca de favores políticos. (ANSA).