Netanyahu anuncia ampla operação militar na Cisjordânia após ataque

Primeiro-ministro israelense promete intensificar ações em cidades palestinas após ataque a tiros em Hebron; medidas incluem evacuação de moradores e restrições de circulação

Imagem ilustrativa do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que anunciou a preparação de uma ampla operação militar na Cisjordânia após um ataque em Hebron.
Foto: Imagem ilustrativa do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que anunciou a preparação de uma ampla operação militar na Cisjordânia após um ataque em Hebron.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta sexta-feira (23) a preparação de uma ampla operação militar na Cisjordânia ocupada, em resposta a um ataque a tiros contra militares israelenses na região de Hebron, no sul do território palestino.

Segundo as autoridades israelenses, dois homens armados atacaram um posto de controle militar, provocando a morte de dois soldados e deixando outros três feridos. Os suspeitos foram mortos durante o confronto.

Após o episódio, Netanyahu determinou o isolamento de Hebron e ordenou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) se preparassem para ampliar as restrições de circulação em outras áreas da Cisjordânia.

O primeiro-ministro também anunciou operações terrestres em bairros palestinos, com buscas em residências, retirada de moradores e destruição de estruturas que o governo israelense associa a atividades de grupos armados.

Netanyahu promete ampliar ofensiva militar

Durante uma visita à região do ataque, Netanyahu afirmou que as forças israelenses deverão intensificar as ações contra suspeitos de envolvimento em atividades armadas.

A estratégia anunciada prevê operações de busca em bairros considerados pelas autoridades israelenses como pontos de origem de ataques contra militares e civis.

O governo pretende adotar procedimentos semelhantes aos utilizados anteriormente em campos de refugiados palestinos, onde operações militares provocaram deslocamentos de moradores e danos à infraestrutura urbana.

Netanyahu também declarou que Israel está preparado para realizar uma ofensiva de maior alcance na Cisjordânia. Entretanto, não apresentou um cronograma definitivo para o início das novas ações nem esclareceu quanto tempo poderão durar as restrições.

A possibilidade de retirada de moradores de suas residências amplia as preocupações sobre as consequências humanitárias da operação, especialmente para famílias que vivem nas áreas mais afetadas pelas confrontações.

Ataque em Hebron deixou dois soldados mortos

O ataque ocorreu nas proximidades de um posto de controle militar ao norte de Hebron, uma das cidades mais sensíveis da Cisjordânia.

De acordo com as informações divulgadas pelas forças israelenses, dois homens armados abriram fogo contra militares posicionados na região.

O confronto durou vários minutos e mobilizou equipes de segurança e atendimento de emergência. Dois soldados israelenses morreram, enquanto outros três ficaram feridos.

Os dois suspeitos também morreram durante a troca de tiros.

Após o episódio, o Exército israelense iniciou buscas por possíveis colaboradores dos responsáveis pelo ataque e reforçou a presença militar na região.

O Hamas elogiou a ação, mas não reivindicou sua autoria.

Governo israelense defende expansão de assentamentos

Além das medidas militares, Netanyahu reafirmou a intenção de ampliar os assentamentos israelenses na Cisjordânia.

O primeiro-ministro afirmou que seu governo continuará apoiando a construção e a regularização de comunidades israelenses no território, mesmo diante das críticas internacionais.

A expansão dos assentamentos é um dos principais pontos de tensão entre israelenses e palestinos. A maior parte da comunidade internacional considera essas construções contrárias ao direito internacional, posição contestada pelo governo de Israel.

A Cisjordânia está sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. O território é reivindicado pelos palestinos como parte de um futuro Estado independente.

Hebron possui uma configuração especialmente delicada, com áreas administradas por autoridades palestinas e setores sob controle militar israelense.

A presença de assentamentos e as restrições de circulação frequentemente provocam confrontos e denúncias de violações de direitos.

Ofensiva ocorre às vésperas das eleições em Israel

O anúncio também acontece em um momento decisivo para a política israelense.

As eleições legislativas estão marcadas para terça-feira, 27 de outubro, e Netanyahu tenta conquistar um novo mandato em meio a debates sobre segurança, conflitos regionais e a atuação de seu governo.

Após o ataque, o primeiro-ministro pediu o cancelamento dos compromissos de campanha de seu partido, o Likud, previstos para esta sexta-feira.

Integrantes da ala mais conservadora do governo defenderam respostas ainda mais duras.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, pediu o desmantelamento da Autoridade Palestina, enquanto o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defendeu uma operação militar mais abrangente na Cisjordânia.

As declarações aumentam a tensão em uma região que já enfrenta confrontos recorrentes entre forças israelenses, grupos armados palestinos e colonos.

Até o momento, não foi informado quando a operação de maior escala anunciada por Netanyahu começará efetivamente nem qual será sua extensão territorial.

Da IstoÉ