JERUSALÉM, 8 NOV (ANSA) – Um dos principais aliados de Donald Trump no mundo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se manifestou neste domingo (8) sobre as eleições norte-americanas e parabenizou o novo presidente, Joe Biden, e sua vice, Kamala Harris, pela vitória no pleito.
O premiê definiu o democrata como “um grande amigo de Israel” e disse não ver a hora de “trabalhar com vocês dois para reforçar ainda mais a especial aliança entre Estados Unidos e Israel”.
Netanyahu ainda lembrou a “relação longa e amistosa por quase 40 anos” que tem com o eleito, mas agradeceu Trump pela “amizade mostrada na relação com Israel e pessoalmente comigo”.
Durante os quatro anos de seu mandato, o republicano alterou bastante o status dado aos israelenses, determinando a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, que reconheceu como capital apenas de Israel, e intermediando o fechamento de acordos de normalização diplomática com países até então rivais: Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
A postura de Trump era duramente criticada pelos palestinos, que viam a esperança da solução de dois estados cada vez mais distante por conta da política de Washington. Até por conta disso, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, já se manifestou parabenizando o novo mandatário.
Segundo a agência local Wafa, Abbas afirmou que vai buscar “trabalhar com Biden e a sua administração com o objetivo de reforçar as relações palestino-americanas e para obter a liberdade, a independência, a justiça e a dignidade para o nosso povo, bem como trabalhar pela paz, estabilidade e segurança de todos na nossa região e no mundo”.
Já o governo do Irã, outro ponto de mudança crucial no Oriente Médio na comparação entre Trump e o governo anterior ao seu, do democrata Barack Obama – onde Biden era o vice, foi mais cauteloso nas felicitações. O republicano retirou os Estados Unidos do acordo nuclear firmado entre Teerã, o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, o que causou uma troca de acusações sem fim desde 2018.
Para o presidente iraniano, Hassan Rohani, a vitória de Biden “representa uma oportunidade” para que Washington “corrija os próprios erros” e “volte ao caminho de adesão aos seus compromissos internacionais”.
“A politica errada e danosa adotada pela atual administração estadunidense nos últimos três anos foi deplorada pelos povos do mundo e também pelo povo americano nas eleições presidenciais. A heroica resistência da nação iraniana contra a guerra econômica liderada pela administração Trump colocou nua a falência da política dos EUA de ‘pressão máxima'”, diz ainda a mensagem da Presidência.
Quem também se manifestou foi o líder supremo do país, Ali Khamenei, que pediu que a população “precisa se tornar ainda mais forte perante a inimizade dos EUA e reforçar os instrumentos de nosso poder real”. Segundo uma matéria do “The Washington Post”, Biden deve firmar um decreto logo após assumir a Casa Branca recolocando os EUA no acordo (ANSA).