Netanyahu lidera apuração em Israel, mas não tem maioria para formar governo

Com cerca de dois terços dos votos contabilizados, bloco do premiê aparece à frente, mas permanece abaixo das 61 cadeiras necessárias

Chaim Goldberg/Flash90, via All Israel News
Foto: Chaim Goldberg/Flash90, via All Israel News

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lidera a apuração das eleições parlamentares realizadas na terça-feira (27), mas seu bloco político ainda não reúne a maioria necessária para formar um novo governo.

Com aproximadamente 66,3% dos votos contabilizados, a coalizão formada por partidos de direita e extrema direita aliados ao premiê aparecia com projeção de 54 das 120 cadeiras do Parlamento israelense, conhecido como Knesset.

A oposição liderada pelo centrista Gadi Eisenkot somava 48 cadeiras, enquanto os partidos árabes apareciam com 18.

Para formar um governo, é necessário obter o apoio de pelo menos 61 parlamentares.

Os números são parciais e poderão sofrer alterações até a conclusão da apuração.

Netanyahu aparece à frente, mas enfrenta dificuldades

A distribuição preliminar das cadeiras indica que o bloco de Netanyahu poderá terminar a eleição como a maior força parlamentar.

Entretanto, o resultado não garante sua permanência no cargo.

No sistema político israelense, o primeiro-ministro depende do apoio de uma maioria parlamentar para formar e sustentar seu governo.

Isso significa que negociações com outros partidos serão necessárias caso o bloco governista não alcance sozinho os 61 assentos.

A composição final do Parlamento também poderá abrir espaço para alianças alternativas.

Oposição tenta construir maioria

Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, é uma das principais lideranças da oposição.

Após o encerramento da votação, tanto Eisenkot quanto Netanyahu manifestaram intenção de formar o próximo governo.

O cenário, porém, permanece indefinido.

A fragmentação partidária poderá dificultar a construção de uma coalizão, especialmente diante das divergências sobre segurança nacional, política externa e questões religiosas.

Os partidos árabes também poderão influenciar a composição do Parlamento, embora sua participação em eventuais alianças dependa de negociações políticas.

Como funciona a escolha do primeiro-ministro?

Israel adota um sistema parlamentarista.

Os eleitores votam em listas apresentadas pelos partidos, e as 120 cadeiras do Knesset são distribuídas proporcionalmente aos votos recebidos.

Após a definição dos resultados, o presidente israelense consulta representantes das legendas e escolhe um parlamentar para tentar formar o governo.

Normalmente, essa responsabilidade é atribuída ao líder com maiores possibilidades de reunir uma coalizão majoritária.

O processo poderá exigir acordos entre diferentes partidos e levar semanas.

Caso nenhuma liderança consiga reunir o apoio necessário, o país poderá enfrentar um novo período de instabilidade política.

Segurança nacional marcou campanha

A eleição foi a primeira realizada em Israel desde os ataques promovidos pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

O episódio e os conflitos posteriores ocuparam posição central durante a campanha eleitoral.

Entre os temas debatidos estiveram a responsabilidade pelas falhas de segurança, a condução das operações militares e o futuro das relações com países vizinhos.

Questões relacionadas ao serviço militar obrigatório, à participação de grupos ultraortodoxos e à situação dos territórios palestinos também dividiram os partidos.

A votação ocorreu em meio a pressões internas e internacionais sobre os rumos do governo israelense.

Resultado poderá influenciar política externa

A formação do próximo governo terá repercussões para as relações de Israel com os Estados Unidos e outros países.

As negociações envolvendo a Faixa de Gaza, as tensões com o Irã e a situação na Cisjordânia estão entre os temas que deverão permanecer na agenda política.

Entretanto, o impacto concreto dependerá da coalizão que conseguir assumir o poder e de seu programa de governo.

Apuração ainda pode mudar distribuição das cadeiras

A contagem dos votos prossegue nesta quarta-feira.

Além dos votos contabilizados inicialmente, o processo eleitoral inclui cédulas depositadas por determinados grupos, como militares, que são apuradas posteriormente.

Por isso, as projeções de cadeiras ainda podem mudar.

A confirmação do resultado será o primeiro passo para as negociações que definirão o próximo governo israelense.

Da IstoÉ