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Nepalês perto de concluir desafio de escalar 14 maiores cumes do mundo em 7 meses

O montanhista nepalês Nirmal Purja quer fazer “possível o impossível”, afirmou em entrevista à AFP antes de partir para a última montanha de seu desafio sobre-humano de escalar os 14 cumes de mais de 8.000 metros de altura do mundo em apenas sete meses.

“Nims”, como é conhecido, tem o rosto enrugado pelo sol, o vento e o frio extremos de suas recentes subidas de “8.000” no Himalaia. Vestindo camisa xadrez e bermuda, sorridente e descontraído, este ex-soldado das forças especiais britânicas espera sentado em um café descolado de Katmandu.

Após conseguir a permissão especial acordada pela China para escalar o Shishapangma, cume tibetano de 8.027 m que estava fechado no início desta temporada de escaladas, o montanhista se prepara para a aventura final de seu “Project Possible” (Projeto Possível, em inglês), iniciado na primavera boreal.

“Há 14 montanhas com mais de 8.000 metros de altura no mundo. A pessoa que escalou todas elas mais rapidamente o fez em 8 anos. Eu estou tentando fazê-lo em 7 meses. Esse é o ‘Project Possible'”, resumiu este homem de 36 anos que recorre a tanques de oxigênios quando alcança a “zona da morte”.

Desconhecido até pouco tempo atrás no pequeno mundo do montanhismo, Nims atraiu progressivamente a atenção de seus pares e da imprensa nos últimos meses a medida que conquistava com resistência e uma rapidez sem precedentes os picos mais altos do planeta.

No início, muitos pensavam que a empreitada era física e logisticamente impossível, levando em consideração a estreita janela de tempo que não deixa espaço para improvisações. Antes das primeiras subidas, “todo mundo ria da minha cara”, lembra Nims à AFP.

Um de seus segredos? “A disciplina”, responde em seu inglês que mescla os sotaques britânico e nepalês.

“Trata-se de ter confiança na sua capacidade e é sempre necessário ter um pensamento positivo, porque às vezes as coisas saem do caminho certo. Os planos não acontecem como se espera e como havíamos pensado. Mas, apesar de tudo, dá para fazer possível o impossível”, diz.

– “É preciso relativizar tudo” –

Sua maratona em condições de pouco oxigênio começou em abril no Annapurna (Nepal, 8.091 m), cujo cume alcançou em 23 de abril.

Sem respiro, com pouco descanso, saltando de um acampamento base a outro de helicóptero, escalou algumas montanhas sem parar nos refúgios intermediários, encadeando outros famosos picos do Nepal: Dhaulagiri (8.167 m), Kanchenjunga (8.586 m), Everest (8.848 m), Lhotse (8.516 m) e Makalu (8.485 m).

Após uma semana de pausa, Nims atacou em julho os cinco “8.000” do Paquistão, entre eles os temidos K2 (8.611 m) e Nanga Parbat (8.126 m). Em final de setembro, somou ao currículo os picos de Cho Oyu (China, 8.188 m) e Manaslu (Nepal, 8.163 m).

Seu projeto esbarrou então com o fechamento temporário de Shishapangma. A proibição foi finalmente retirada nesta semana, após o governo nepalês intervir a seu favor diante das autoridades chinesas.

Menor dos “8.000” e pouco visitado, o Shishapangma é considerado o menos difícil tecnicamente, mas sua rota de subida deixa os alpinistas muito expostos a avalanches. A montanha já tirou a vida de vários escaladores experientes.

Nascido em uma família humilde de um povoado do noroeste do Nepal, Nims passou 16 anos nas unidades Gurkas do exército britânico, que deixou recentemente para se dedicar de corpo e alma à montanha.

“Às vezes você se sente invencível, como se fosse o melhor. Mas quando estou na montanha, isso me faz relativizar tudo e esse é o motivo pelo qual comecei a praticar o montanhismo”, explica.

Como outros atletas do estilo do falecido Ueli Steck ou de Kilian Jornet, Nims faz parte de uma onda de montanhistas que têm a velocidade como principal característica, realizando escaladas velozes que não agradam aos puristas.

Com sua história, espera inspirar e favorecer o surgimento de novos alpinistas nepaleses: “Há muito escaladores melhores do que eu que não tiveram oportunidade. Espero que muitos jovens, incluindo alguns de nossos irmãos sherpas, saiam do anonimato e quebrem meu recorde”.

“Isso é só o começo”, conclui.

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