BRUXELAS, 4 FEV (ANSA) – Após o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ter se mostrado favorável a um retorno da Rússia e de seus times às competições internacionais, a União Europeia reagiu duramente à possível volta das equipes do país.
Em uma publicação nas redes sociais, o comissário europeu para o Esporte, Glenn Micallef, declarou que “permitir que agressores retornem ao futebol mundial como se nada tivesse acontecido é inaceitável” e que “nem tudo é negociável”.
“O esporte não existe no vácuo; ele reflete quem somos e o que escolhemos representar. A segurança pública, a clareza e os símbolos são importantes. Além disso, o futebol dita o ritmo do esporte mundial. Outras modalidades esportivas, federações e Estados-membros da UE já expressaram sérias preocupações”, escreveu o diplomata maltês.
Micallef acrescentou que decisões envolvendo o futebol de Moscou “devem ser tomadas por meio de discussões coletivas e avaliações de risco” e que “limites claros devem ser estabelecidos”.
O comissário ainda apelou à união “dentro e fora da UE”, convidando “torcedores, sindicatos, associações e partes interessadas” a unirem forças com Bruxelas “para estabelecer limites claros sobre o que é aceitável no esporte”.
Os clubes russos e a seleção do país estão suspensos dos torneios organizados pela Fifa e pela Uefa desde 2022, quando as forças de Moscou invadiram a Ucrânia. Em entrevista à Sky Sports, Infantino avaliou que a medida “não alcançou nada, apenas gerou mais frustração e ódio”.
As falas do dirigente ítalo-suíço não foram bem recebidas pelo ministro dos Esportes da Ucrânia, Matvii Bidnyi, que definiu os comentários como “irresponsáveis e infantis”.
No fim do ano passado, a Federação Internacional de Judô (IJF) tornou-se a primeira entidade esportiva a suspender totalmente a proibição imposta aos atletas russos em razão da guerra na Ucrânia.
Em outra modalidade, uma reabertura parcial foi aprovada pela Federação Mundial de Badminton (BWF), que autorizou dois atletas russos a voltarem a competir em eventos chancelados pela entidade na categoria de “Atletas Neutros Individuais”.
Recentemente, a BWF também informou que a restrição de elegibilidade para que russos e bielorrussos solicitassem o “status neutro” e competissem em torneios sancionados pela entidade foi removida. (ANSA).