Países mandam enviados, mas negociações Irã e EUA são suspensas em Doha por mísseis

Ataques com mísseis entre Irã e EUA adiam negociações em Doha, ameaçando cessar-fogo e elevando tensões no Oriente Médio

Países mandam enviados, mas negociações Irã e EUA são suspensas em Doha por mísseis

As negociações entre Irã e EUA, que visavam a um cessar-fogo provisório, foram suspensas esta semana em Doha, no Catar. O Irã anunciou na segunda-feira que não haveria reunião agendada, após ataques mútuos com mísseis no fim de semana terem testado a fragilidade do acordo de paz que já dura quatro meses. A escalada de tensões impede o diálogo crucial para a estabilidade regional.

O que aconteceu

  • As negociações entre Irã e EUA em Doha foram adiadas após ataques mútuos de mísseis e drones no fim de semana.
  • O acordo de cessar-fogo provisório, assinado em 17 de junho, é considerado frágil devido às constantes violações de ambos os lados.
  • A incerteza sobre o diálogo impacta os preços globais do petróleo, que subiram após as hostilidades, e gera preocupação em Washington antes das eleições de meio de mandato.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou seu genro, Jared Kushner, e seu enviado, Steve Witkoff, para liderar a equipe de negociação. A informação foi confirmada por sua secretária de imprensa, Karoline Leavitt. Contudo, o Irã, que também envia sua delegação técnica ao Catar, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou que a visita “não tem relação” com a presença dos norte-americanos e que nenhuma conversa está agendada entre os dois lados.

“Não teremos nenhuma reunião de negociação, em nenhum nível, com a parte norte-americana nos próximos dias”, afirmou Baghaei.

A fragilidade do cessar-fogo

A divergência sobre um possível encontro ressalta a fragilidade do acordo de 17 de junho, que tinha como objetivo suspender um conflito de quatro meses. Este conflito interrompeu os fluxos globais de petróleo pelo estratégico Estreito de Ormuz e gerou uma crise política para Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.

EUA e Irã concederam-se um prazo de pelo menos 60 dias para implementar um memorando de entendimento de 14 pontos. O objetivo era estender o cessar-fogo de abril, discutir o programa nuclear iraniano e negociar uma trégua permanente. No entanto, o progresso tem sido lento, com ambas as partes acusando-se mutuamente de violar os termos acordados.

Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, que é um ponto de passagem crucial para cerca de um quinto do comércio global de petróleo, ficou praticamente paralisado. Israel, por sua vez, não se juntou às negociações de paz e se distanciou do acordo.

Implicações regionais e econômicas

As tensões entre Washington e Teerã também complicaram os esforços para encerrar os combates no Líbano. Lá, o presidente do Parlamento, Nabih Berri, aliado do Hezbollah (grupo apoiado pelo Irã), questionou um acordo separado mediado pelos EUA entre Líbano e Israel, que visava a interromper o conflito.

O fechamento da via navegável provocou a elevação dos preços do petróleo para mais de US$100 o barril, impulsionando a inflação global. Esta situação exerce pressão sobre Donald Trump antes das eleições de meio de mandato, que decidirão o controle do Congresso dos EUA. Alguns republicanos já criticaram o presidente por engajar-se em uma guerra sem a autorização dos parlamentares.

Uma alta autoridade iraniana indicou que uma reunião em Doha aconteceria na terça-feira. No entanto, diferentemente das negociações técnicas anteriores na Suíça, o foco seria a gestão do Estreito de Ormuz e a redução das tensões. Outra fonte informada sobre os planos afirmou que equipes técnicas dos EUA e do Irã devem se reunir separadamente com mediadores do Catar e do Paquistão na quarta-feira.

Incerteza política em washington

No Salão Oval, Donald Trump declarou a repórteres: “A reunião em Doha talvez seja importante, talvez não. Vamos descobrir”. Ao mesmo tempo, o presidente afirmou que os EUA “estão vencendo militarmente” e reiterou sua condição de que o Irã deve ser impedido de produzir uma arma nuclear.

O Irã busca vantagem ao exercer controle sobre o estreito que compartilha com Omã. O país planeja cobrar taxas dos navios que utilizam a hidrovia e impedir a passagem de embarcações que se desviem das rotas definidas.

Os Estados Unidos acusaram o Irã de atingir pelo menos dois navios comerciais com mísseis ou drones nos últimos dias e, em retaliação, bombardearam instalações militares iranianas. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait e no Barein na madrugada deste domingo.

Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio informaram membros do Congresso sobre a situação no Irã por telefone na segunda-feira. O senador republicano Steve Daines classificou a conversa como “construtiva”, embora as declarações tenham sido mínimas.

O líder da bancada democrata no Senado, Chuck Schumer, contudo, considerou a reunião “insuficiente e desprovida de detalhes”.

“Depois de arrastar os Estados Unidos para uma guerra onerosa, o governo Trump ainda não consegue citar uma única coisa que os norte-americanos tenham ganho em troca. Em vez disso, o secretário Rubio me confirmou que o Irã arrecadará bilhões em receitas do petróleo, mantendo ao mesmo tempo uma influência perigosa sobre o Estreito de Ormuz”, pontuou Schumer.

Liberação de ativos iranianos congelados: um alívio?

O presidente iraniano Masoud Pezeshkian anunciou na segunda-feira que US$6 bilhões dos US$12 bilhões em ativos congelados no Catar seriam liberados e devolvidos ao Irã, conforme noticiado pela mídia estatal iraniana. Ele descreveu o memorando, que inclui isenções dos EUA para sanções aos setores de petróleo e petroquímico do Irã, como “uma grande vitória para o povo iraniano”.

Os preços do petróleo subiram mais de 1% após as hostilidades do fim de semana, evidenciando a fragilidade do acordo entre os EUA e o Irã.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou na segunda-feira que estava trabalhando com Omã para amenizar as tensões e que cooperaria com parceiros para remover as minas do Estreito de Ormuz. No entanto, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, respondeu com uma postagem no X afirmando que a remoção das minas deveria ser realizada exclusivamente pelo Irã, de acordo com o plano de 14 pontos, e advertiu a França contra qualquer complicação da situação.

*Com Reuters