O governo dos Estados Unidos, nesta quarta-feira, 15, anunciou otimismo quanto a um possível acordo e confirmou discussões para organizar um segundo ciclo de negociações com o Irã. As conversas, que ocorrem no Paquistão, visam desescalar tensões após Teerã ameaçar bloquear o tráfego no Mar Vermelho em resposta às sanções americanas. A comunidade internacional acompanha com expectativa a continuidade do cessar-fogo e uma solução para a guerra na região.
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O que aconteceu
Os Estados Unidos manifestam otimismo para um segundo ciclo de negociações com o Irã, mediado pelo Paquistão, com o objetivo de alcançar um acordo e aliviar as tensões.
O Irã insiste no direito a um programa nuclear civil, enquanto EUA e Israel demandam o fim do enriquecimento de urânio, complicando as negociações.
Paralelamente, Líbano e Israel realizam as primeiras conversas diretas em décadas sobre o conflito com o Hezbollah, em um cenário de bloqueios marítimos e sanções.
“Estas conversas estão sendo realizadas”, mas não há nada oficial ainda, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, segundo quem o governo americano é “otimista em relação às perspectivas de um acordo”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, recebeu nesta quarta-feira uma delegação paquistanesa chefiada pelo comandante do Exército, Asim Munir.
O primeiro-ministro paquistanês, Muhammad Shehbaz Sharif, relatou os esforços de seu país durante uma reunião com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, no âmbito de uma viagem que também o levará ao Catar e à Turquia, anunciou seu gabinete nesta quinta-feira, 16.
A pauta nuclear em debate
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, confirmou que “várias mensagens foram trocadas com a mediação do Paquistão” nos últimos três dias.
Contudo, ele insistiu em uma exigência crucial do Irã: o direito do país a um programa nuclear civil, abrindo apenas a porta para debates sobre “o nível e o tipo de enriquecimento” de urânio.
Mas, quase sete semanas após o início da guerra, os objetivos de Israel e dos Estados Unidos continuam sendo “idênticos”, garantiu o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que citou o “abandono da capacidade de enriquecimento de urânio dentro do Irã”.
Israel e Líbano: qual o futuro das negociações?
No Líbano, que Israel considera não estar incluído na trégua, o conflito com o Hezbollah prossegue, apesar das negociações de terça-feira entre os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos, as primeiras diretas entre funcionários de alto escalão desde 1993.
O Hezbollah reivindicou nesta quinta-feira vários ataques contra posições militares no norte de Israel e afirmou que lançou drones contra Hanita e os quartéis de Liman.
“O desmantelamento” do Hezbollah é o primeiro objetivo das negociações entre Israel e Líbano, repetiu Netanyahu na quarta-feira.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou no fim da noite de quarta-feira que autoridades de Israel e do Líbano se reuniriam nesta quinta-feira, pela primeira vez em “quase 34 anos”.
“Tentando criar um pouco de espaço para respirar entre Israel e Líbano”, escreveu Trump na sua rede Truth Social, sem explicar, no entanto, quais autoridades participariam do encontro.
Uma fonte libanesa, no entanto, afirmou à AFP que o país “não está a par” de uma reunião com Israel.
Conflito no mar: bloqueios e sanções
Teerã mantém o bloqueio ao Estreito de Ormuz e Washington impõe, desde segunda-feira, um bloqueio aos navios que zarpam de ou se dirigem aos portos iranianos.
O Exército americano anunciou na quarta-feira que impediu a saída de 10 navios dos portos iranianos.
Segundo Washington, “90% da economia iraniana” depende do comércio marítimo. O governo americano também anunciou um reforço das sanções contra o setor petrolífero iraniano.
Em resposta, o Exército iraniano ventilou a ameaça de um bloqueio do Mar Vermelho, além do Estreito de Ormuz.
Mohsen Rezaei, conselheiro do líder supremo iraniano, também ameaçou afundar os navios americanos caso tentem agir como a “polícia” do estreito.
Na quarta-feira, os ministros das Finanças de 11 países, incluindo Reino Unido, Japão e Austrália, fizeram um apelo por uma “solução negociada” para o conflito, mencionando as ameaças “à segurança energética mundial, às cadeias de abastecimento e à estabilidade econômica e financeira”.