Comportamento

Navio sem rumo

O Professor W. Besnard, embarcação pioneira em expedições científicas na Antártida, corre risco de afundar no Porto de Santos: a situação preocupa autoridades locais

Crédito: EDUARDO CESAR

ABANDONO Navio usado durante décadas nas expedições brasileiras na Antártida, que iria virar um museu, está adernando e pode afundar (Crédito: EDUARDO CESAR)

Um monumento da pesquisa científica nacional está próximo de virar sucata. Conhecido por ser o responsável pelo avanço dos estudos oceanográficos brasileiros no século 20, o navio Professor W. Besnard, com 49,3 metros de comprimento e atracado no porto de Santos desde 2008, preocupa autoridades locais por conta de seu péssimo estado de conservação. O caso está sendo acompanhado de perto pela Santos Port Authority (SPA), empresa encarregada da gestão portuária. O temor é que a embarcação, além de se perder completamente, traga danos ao meio ambiente por causa de vazamentos de óleo e de outras substâncias.

Divulgação

A partir da verificação da SPA, em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), especialistas descobriram que o Besnard passa por um processo de adernamento, definido como uma inclinação involuntária para um dos lados. Em decorrência de abalos causados pelas fortes chuvas, e ressacas na Baixada Santista, além de seus mais de 30 anos de navegação. Ele adquiriu fissuras, sinais de ferrugem excessiva e corrosões no casco, o que explica a presença de água acumulada na parte interna. “O Besnard ajudou o Brasil a delinear muitas pesquisas, principalmente na Artártida, e foi responsável pela valorização da ciência oceanográfica brasileira no mundo”, diz Elisabete Braga, diretora do Instituto Oceanográfico da USP. “Ele tem um imenso valor para nossa história”.

Patrimônio dos mares

O Instituto do Mar (Imar), responsável pelo navio, informou à SPA que não possui recursos para custear a remoção da água no interior da embarcação, nem fazer os reparos necessários. Os custos de qualquer modificação, ou serviço de manutenção realizado por autoridades portuárias, devem ser cobrados do proprietário da embarcação. “Existe uma mobilização de alunos, especialistas, pesquisadores e até profissionais da marinha querendo ajudar a salvar o Besnard”, acrescenta Elisabete.

Concebido por engenheiros da Escola Politécnica da USP, o navio foi construído na Noruega em 1966. Diversas autoridades brasileiras acompanharam o “batismo” do primeiro navio oceanográfico brasileiro na Europa. Sua expedição inaugural foi realizada em 1967, com a vinda para o Brasil e representou um salto imensurável para a ciência nacional. “No Brasil, não temos uma cultura oceânica. Precisamos nos conectar com esse tema e nos conscientizar acerca da preservação do meio ambiente”, aponta Laura Ippolito, gerente de operações do Instituto Mar. A embarcação, adquirida pelo Imar após doação da Prefeitura de Ilhabela em 2019 já pertenceu ao Instituto Oceanográfico. Segundo Elisabete, inúmeros projetos envolvendo o Besnard foram analisados, inclusive a sua transformação em museu, mas nenhum foi concretizado. A ONU definiu o período de 2021 a 2030 como a década da oceanografia, o que pode reforçar as políticas de conscientização ambiental. “Precisamos conservar nossos patrimônios. O Besnard significa muito para o Brasil. E a educação é o primeiro passo para salvarmos os oceanos”, conclui Laura.

 

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