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Navalny, o incansável opositor russo que sobreviveu a seu envenenamento

Navalny, o incansável opositor russo que sobreviveu a seu envenenamento

O líder da oposição russa, Alexei Navalny - AFP/Arquivos

Um feroz lutador contra a corrupção das elites na Rússia e orador carismático, Alexei Navalny se estabeleceu como o principal adversário de Vladimir Putin e agora é também um sobrevivente de um envenenamento com Novichok.

Este advogado de 44 anos recebeu alta nesta terça-feira (22) do hospital de Berlim onde estava internado há um mês. Ele passou boa parte do tempo em coma, depois de ter sido vítima, segundo os médicos, de um envenenamento com esta substância neurotóxica.

Navalny afirmou nesta quarta (23), em sua página no Instagram, que uma longa recuperação o espera, antes de voltar a ter uma vida normal.

Nos últimos dias, o opositor postou nas redes sociais fotos em que aparece visivelmente mais magro e abatido, caminhando e falando aos poucos, às vezes ao lado de sua esposa, Yulia, que “o devolveu à vida” com seu amor.

O político também ironizou a reação do Kremlin, que nega qualquer responsabilidade no incidente. Segundo o jornal francês “Le Monde”, Putin teria até insinuado que o opositor pode ter-se intoxicado por conta própria.

“É uma boa pista, acredito que temos que analisar em detalhes”, comentou, com sarcasmo.

Navalny já havia afirmado ter sido vítima de uma primeira tentativa menos grave de envenenamento em 2019, quando estava preso. As autoridades então garantiram que se tratou de uma “reação alérgica”.

Desta vez, o opositor se sentiu mal quando estava em uma viagem de volta para Moscou. O avião que o levava teve de fazer um pouso de emergência em Omsk, devido à rápida deterioração de seu estado de saúde.

Ignorado pela imprensa nacional, sem representação no Parlamento e sem a possibilidade de se apresentar como candidato em consequência de uma condenação por fraude fiscal que ele denuncia como política, Navalny resiste, apesar de tudo, como a voz mais potente da oposição russa.

Seus vídeos divulgados no YouTube – onde tem mais de quatro milhões de inscritos – são muito populares, e suas investigações sobre a corrupção das elites somam dezenas de milhões de visualizações, especialmente entre os jovens.

O opositor e seu Fundo de Luta contra a Corrupção (FBK), criado em 2012, ainda estão na mira das autoridades. Nos últimos meses, o FBK foi multado várias vezes, suas instalações foram revistadas em diversas ocasiões, e seus bens, congelados.

– Golpes de efeito –

Para o opositor, trata-se de uma retaliação por ter organizado um movimento de protestos em 2019, antes das eleições em Moscou.

Recentemente, Navalny expressou seu apoio às manifestações em Khabarovsk, no Extremo-Oriente russo, onde milhares de pessoas se reuniram quase diariamente para protestar contra a prisão de um ex-governador, adversário do partido no poder “Rússia Unida”.

Em 2017 e 2018, ano de eleição presidencial, Navalny já conseguiu reunir dezenas de milhares de jovens de toda Rússia.

Com sua organização, ele se apoia nesse segmento da população, ponto fraco do eleitorado de Putin e do partido da situação, chamado por Navalny de “partido dos ladrões e vigaristas”.

Incansável, o opositor multiplica os golpes de efeito ao enfrentar os intocáveis.

Ganhou notoriedade nas eleições legislativas de dezembro de 2011, que geraram uma onda de protestos e nas quais o advogado se destacou por seu carisma e pela virulência de seus ataques contra o Kremlin.

Em setembro de 2013, obteve seu primeiro êxito eleitoral nas eleições municipais de Moscou. Surpreendeu ao ficar em segundo lugar, com 27,2% dos votos atrás do prefeito, o ex-chefe de gabinete de Putin, Serguei Sobianin. Este resultado confirmou sua projeção como uma figura essencial da oposição.

– Nada diminui sua motivação –

Navalny também participou de manifestações com conotações racistas, como as da Marcha Russa. Afastou-se desses movimentos nos últimos anos, porém, e foi apagando progressivamente o tom nacionalista de seus discursos.

Desde 2013, este pai de dois filhos é condenado a penas de prisão por dois casos de desvio de fundos que ele considera políticos e que levaram à rejeição de sua candidatura até 2028.

Também foi preso várias vezes por infrações à legislação sobre as manifestações.

Ele sempre negou suas condenações judiciais e garante que nada pode diminuir sua motivação, nem mesmo as ameaças contra sua segurança e a de sua família.

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