Brasil

Nasce a terceira via

Com a escolha do seu candidato à presidência da República, o PSDB dá a largada para a discussão de um nome único que reúna os vários partidos de centro. A aposta é que conseguirá derrotar os postulantes mais rejeitados pelos eleitores: Lula e Bolsonaro

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RUMO AO FUTURO Doria, Virgílio e Leite: o PSDB começa a articular uma aliança de centro contra as propostas populistas (Crédito: Divulgação)

A partir da noite deste domingo, 21, com a escolha do candidato do PSDB a presidente da República, após intenso debate nas prévias do partido, a terceira via passa, finalmente, a definir os caminhos que conduzirão o País na busca de um nome de consenso da centro-direita para enfrentar a polarização entre os dois extremos que o eleitor rejeita: Lula e Bolsonaro. Já nesta segunda-feira, 22, o governador de São Paulo, João Doria, une-se ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para a formação de uma chapa que inclua os outros pré-candidatos dos partidos do centro, como o ex-juiz Sergio Moro, o ex-ministro Luis Henrique Mandetta e a senadora Simone Tebet. A expectativa é que da união de todos eles nasça um único nome para ser a autêntica opção ao atual e ao ex-presidente, os dois políticos que destruíram o sonho dos brasileiros de ter um País sem corrupção e inviabilizaram um programa de governo que associe o crescimento econômico ao desenvolvimento social.

CANDIDATO OFICIAL Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB, deve divulgar o nome do presidenciável do PSDB na noite deste domingo (Crédito:Dida Sampaio)

A base dessa união certamente se dará em torno do PSDB, partido que vem catalisando o pensamento da grande maioria da população desde a década de 90, com a eleição de Fernando Henrique Cardoso (1994), responsável pela implantação do Plano Real e que estabilizou a economia, agora sob ameaça. “O candidato do PSDB será o grande protagonista da disputa pela presidência. Afinal, as pesquisas indicam que o eleitor não quer nem Lula e nem Bolsonaro e, portanto, o caminho da terceira via é o que terá maior chance para unir forças que derrotem os candidatos dos extremos”, disse Marco Vinholi, presidente do PSDB do Estado de São Paulo, que dias antes da votação desde domingo previa a vitória de João Doria por um placar de 70% a 30% de Eduardo Leite. Para ele, a conta é simples. Dos 44.700 filiados inscritos para a votação das prévias, 62% dos participantes eram do estado de São Paulo, onde fica a base eleitoral do governador paulista. O presidente nacional do PSDB, Bruno Araujo, estimava, dias antes da votação das prévias, que o resultado final deveria ser anunciado no início da noite de domingo e não acreditava que a tensão que marcou a semana final do pleito, com queixas sobre as formas de escrutínio (sistema híbrido de aplicativo e urnas eletrônicas), pudesse criar desentendimentos que dificultassem a pacificação do partido após as prévias.

“O Brasil tem jeito” João Doria, governador de São Paulo

O clima de animosidades entre os dois principais candidatos às prévias do PSDB, que marcou a reta final dos debates, acabou arrefecendo no último dia da campanha, na terça-feira, 16. Ao saber que Doria estava em Porto Alegre para se reunir com a ex-governadora Yeda Crusius, uma das apoiadoras do governador paulista, Leite convidou seu opositor para um café no Palácio do Piratini, sede do governo gaúcho. Solícito, Doria foi acompanhado pela mulher, Bia Doria, ao encontro. Ela chegou a tomar chimarrão e descontraiu o ambiente, dizendo que só faltou uma cuia com uma florzinha para ela. Leite agradeceu a presença do rival em Porto Alegre e elogiou a administração que Doria faz em São Paulo. “Vamos ajudar a mudar o Brasil”, disse Leite. Doria também enalteceu as qualidades do gaúcho, lembrando que, qualquer que fosse o resultado da eleição deste domingo, ambos estariam juntos já nesta segunda-feira, 22, trabalhando pela unidade do partido. “A boa política se faz com civilidade e respeito, ainda que com diferenças”, disse o governador paulista após a reunião com o gaúcho.

Em entrevista à ISTOÉ, Doria diz estar preparado para representar o PSDB na eleição do ano que vem, que ele considera a disputa mais crucial desde o Plano Real. “Vamos decidir em 2022 se vamos ter outra década perdida, se vamos seguir no caminho do populismo, do negacionismo, do autoritarismo e da destruição das florestas ou se queremos voltar à corrupção, à intervenção na economia, às estatais, ao corporativismo dos sindicatos, aos cabides de emprego para os amigos do partido, à defesa de Cuba, em suma, um Brasil radicalizado. O que vamos propor aos eleitores é uma melhoria no ambiente de negócios, com o real forte e inflação baixa, que nos leve à geração de empregos e a uma política de transformação pela educação”, disse Doria. Para o governador de São Paulo, um novo governo do PSDB vai mostrar que o “Brasil tem jeito”. Ele pretende pôr em prática no País o mesmo modelo que adotou no governo de São Paulo, “com a valorização da iniciativa privada e a realização de reformas estruturantes, como a administrativa e a previdenciária. Com as reformas, recuperamos a capacidade de investimento do governo e temos agora mais de 8 mil obras em andamento, com as quais pudemos gerar mais de um milhão de novos empregos”. Segundo ele, os resultados estão aí. “Na média dos últimos três anos, São Paulo cresce a uma velocidade quatro vezes maior do que a do Brasil.” O governador de São Paulo tem toda a razão: o País precisa decidir se volta ao passado ou caminha em direção do futuro.