A Nasa lançou nesta quarta-feira, 1º, a missão Artemis II, marcando o primeiro retorno tripulado à órbita lunar em mais de 50 anos. Partindo do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, Flórida, a nave leva quatro astronautas para um sobrevoo de dez dias, com o objetivo principal de testar novas tecnologias de voo e comunicação essenciais para futuras explorações.
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O que aconteceu
- A Nasa lançou a missão Artemis II com quatro astronautas, o primeiro voo tripulado à órbita lunar em mais de 50 anos.
- A missão de dez dias tem como principal objetivo testar novas tecnologias de voo e comunicação para futuras explorações espaciais.
- A viagem prevê um sobrevoo ao lado oculto da Lua e o retorno à Terra com amerissagem no Oceano Pacífico, em San Diego.
Os quatro astronautas da missão Artemis II viajam a uma velocidade superior a 5.110 km/h, muito acima das camadas mais densas da atmosfera terrestre, demonstrando a capacidade de propulsão e segurança da nova geração de equipamentos espaciais.
Durante os dois primeiros dias da jornada, a tripulação dedicará atenção à verificação dos sistemas da cápsula Orion e realizará um teste de demonstração de mira crucial ainda nas proximidades da Terra. Após essa fase, a nave iniciará sua trajetória em direção à Lua. A chegada ao satélite natural está prevista para ocorrer em aproximadamente quatro dias, culminando em um sobrevoo pelo seu lado oculto. No ponto de maior distância, a Artemis II alcançará 7,4 mil quilômetros além da Lua.
A fase de retorno à Terra, igualmente estimada em quatro dias, será dedicada à continuidade das avaliações dos sistemas da espaçonave. O processo de reentrada na atmosfera terrestre ocorrerá em alta velocidade e sob condições de temperaturas extremas, exigindo precisão e resistência da cápsula. A missão será concluída com a amerissagem no Oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego, conforme planejado.
Como a Nasa desenvolveu a tecnologia para a Artemis II?
O foguete Space Launch System (SLS) da Nasa, com 98 metros de comprimento, é o principal vetor da missão. Ele é equipado com um par de propulsores laterais e carrega, em seu topo, a cápsula Orion, responsável pelo transporte dos astronautas. O SLS incorpora motores e outras peças reutilizadas de ônibus espaciais, e utiliza o mesmo combustível — hidrogênio líquido — empregado nas missões anteriores.
A preparação da “Artemis 2” enfrentou desafios significativos. A missão sofreu com vazamentos de hidrogênio durante um teste de abastecimento realizado em fevereiro, o que resultou na perda da janela de lançamento inicial. Posteriormente, a reincidência de problemas com o fluxo de hélio provocou um novo adiamento, transferindo o lançamento para abril.
Próximos passos: da Lua a Marte
A missão Artemis II representa um avanço crucial nas ambições de longo prazo da Nasa, que incluem o retorno de seres humanos à superfície da Lua e, em última instância, a realização de missões tripuladas a Marte. Os dados e as experiências obtidas com esta segunda fase do programa serão meticulosamente analisados e se tornarão fundamentais para o planejamento e a execução da “Artemis III”, cujo lançamento está programado para 2027.
Em seguida, a “Artemis IV”, agendada para o início de 2028, tem como objetivo realizar o primeiro pouso lunar tripulado em mais de cinco décadas. A estratégia da Nasa para esta missão envolve a transferência da tripulação da cápsula Orion para um módulo de pouso lunar comercial, que fará a descida até a superfície do satélite.
A agência espacial norte-americana já tem planos para a “Artemis V”, com lançamento previsto para o final de 2028, e projeta missões subsequentes com uma frequência aproximada de uma por ano, consolidando seu programa de exploração espacial.
Da IstoÉ com Estadão Conteúdo