Economia

Nas franquias, não há crise

Enquanto as grandes empresas ainda tentam se reerguer, o setor de franchising segue crescendo dois dígitos no Brasil

Crédito: Claudio Gatti

EXPANSÃO Rogério Bertoncini já pensa em abrir novos pontos de sua franquia de doces e brinquedos infantis (Crédito: Claudio Gatti)

SEGUNDA CHANCE Depois de 14 anos, Ari Célia foi obrigado a fechar sua empresa, mas virou franqueado de uma consultoria
SEGUNDA CHANCE Depois de 14 anos, Ari Célia foi obrigado a fechar sua empresa, mas virou franqueado de uma consultoria

Nas últimas três décadas, o economista Rogério Bertoncini, 46 anos, possuiu vaga garantida no mercado de trabalho. Passou por empresas na área de transporte e, nos últimos tempos, atuava como gerente financeiro de uma firma de importações. Com a crise, a companhia foi aos poucos perdendo força até que, em janeiro, mandou embora parte dos funcionários. Seu posto foi um dos eliminados. “Fiz entrevistas, mas não consegui recolocação”, diz. Sem oportunidades em sua área, mas com a indenização da demissão na mão, decidiu iniciar o próprio negócio. Não queria, porém, correr o risco de começar do zero. Foi com a segurança em mente que ele escolheu, há um mês, ser franqueado de uma rede de máquinas de rua que vendem produtos infantis, como doces e brinquedos. Como o movimento tem aumentado, ele já planeja instalar mais pontos.

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Bertoncini é um dos muitos brasileiros que está ajudando a movimentar o setor de franquias, um dos poucos que estão em ascensão enquanto o restante da economia despenca. “Em momentos de crise há um aumento na busca por franquias por causa do desemprego”, afirma o consultor de franchising Marcus Rizzo. “As pessoas decidem mudar de vida, mas ao mesmo tempo querem um porto mais seguro.” Recentemente uma feira em São Paulo (SP), que atraiu 65 mil pessoas e contou com 400 expositores, deu mais um impulso para o ramo, que cresceu 7,6% nos meses iniciais do ano.

Desde 2011, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deu os primeiros sinais de colapso, o faturamento das franquias no Brasil aumentou 57%. No mesmo período, a economia do País caminhou na direção contrária (leia quadro) e obrigou o administrador Ari Célia, 52, a fechar sua empresa de 14 anos. Ele, que conhece as dificuldades de empreender, em vez de construir os alicerces de uma firma com as próprias mãos, virou franqueado de uma consultoria de redução de custos. “Sem dúvida, a segurança foi fundamental para a minha escolha, entrei num carro já em funcionamento”, diz. Com tanta gente começando, existe possibilidade de uma bolha? De acordo com Rizzo, não. “O franchising está há 30 anos em crescimento, mas é claro que, no meio disso, existem coisas muito legais e belas porcarias.”

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