O líder opositor venezuelano Edmundo González Urrutia, exilado em Madri, afirmou nesta sexta-feira que não haverá “reconciliação duradoura sem memória nem responsabilidade”, após a promulgação da histórica lei de anistia geral em seu país, que deve resultar na libertação em massa de presos políticos.
Para que a medida “seja legítima, deve ser acompanhada de verdade, reconhecimento e reparação”, afirmou González Urrutia na rede social X ao comentar a medida adotada sob a presidência interina de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em janeiro por forças militares dos Estados Unidos.
“Foram muitos anos de dor e de perdas para reduzir esse debate a um trâmite”, advertiu o dirigente opositor, que enfrentou Maduro nas eleições presidenciais de 2024 e afirma que venceu as eleições, marcadas por denúncias de irregularidades.
“Uma anistia responsável é a transição do medo para o Estado de direito. É o compromisso de que o poder não voltará a ser exercido sem limites e de que a lei estará acima da força”, acrescentou.
A lei foi aprovada na quinta-feira pelo Parlamento da Venezuela e deverá levar à libertação de centenas de presos políticos.
A medida é parte de uma agenda que inclui maior abertura do setor de petróleo e uma guinada nas combalidas relações com os Estados Unidos, rompidas desde 2019.
Washington afirmou que está à frente da Venezuela pós-Maduro.
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