ROMA, 17 JAN (ANSA) – O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, manifestou-se no X neste sábado (17) sobre o anúncio de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a países europeus que enviaram tropas militares à Groenlândia.
“Não entendo o que há para comemorar no enfraquecimento [econômico] de nossos aliados, que também estão entre nossos maiores parceiros comerciais e industriais”, escreveu Crosetto em resposta ao senador italiano da Liga Claudio Borghi, que em uma publicação na mesma rede social, disse que iria “festejar as tarifas de [Donald] Trump contra a França e a Alemanha”.
A medida anunciada pelo presidente americano é de 10% contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido e Finlândia, a partir de 1° de fevereiro.
“A partir de 1º de junho de 2026, essas tarifas subirão para 25%”, afirmou Trump no Truth, ressaltando que os impostos serão pagos “até que se chegue a um acordo para a compra completa e total da Groenlândia”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, respondeu à retaliação de seu homólogo em Washington.
“As ameaças tarifárias são inaceitáveis e não têm lugar neste contexto. Os europeus responderão de forma unida e coordenada caso sejam confirmadas. Garantiremos o respeito pela soberania europeia”, declarou.
Mensagem semelhante veio da Alemanha, que segundo o porta-voz do governo, Stefan Kornelius, Berlim está “em contato estreito” com seus parceiros europeus.
“Juntos decidiremos as respostas adequadas no momento oportuno”, diz a nota emitida por Kornelius.
Já o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, informou que Estocolmo “não irá deixar se intimidar” pela pressão dos EUA.
“Somente a Dinamarca e a Groenlândia decidem sobre seus próprios assuntos. Eu sempre defenderei meu país e nossos aliados vizinhos”, garantiu.
Para o ministro das Relações Exteriores de Copenhague, Lars Lokke Rasmussen, as tarifas de Trump “chegaram de surpresa”.
“O objetivo do aumento da presença militar na Groenlândia, ao qual o presidente [Trump] se refere, é justamente melhorar a segurança no Ártico”, disse Rasmussen citado pela AFP.
Ele acrescentou estar em contato com a Comissão Europeia e outros parceiros “sobre o assunto”.
Há poucos dias, Rasmussen participou de negociações na Casa Branca sobre a Groenlândia, território semiautônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. (ANSA).