‘Não estou bem, vou à clínica’, disse Vanoni em última ligação

MILÃO, 24 NOV (ANSA) – A cantora italiana Ornella Vanoni, que morreu na última sexta-feira (21), aos 91 anos, demonstrou preocupação com sua saúde na última ligação telefônica que fez para Maurizio Porro, crítico de cinema do jornal “Corriere della Sera”.   

“Não estou bem, uma dor em uma vértebra, não sei, sinto-me estranha, mas vou a uma clínica em Pavia, onde [os médicos] são muito bons, eu os conheço, eles vão cuidar de mim”, afirmou ela, segundo a reportagem do jornal milanês.   

Na sequência, Vanoni disse que ficaria “quieta”, porque estava “com dor, como uma facada nas costas”, e não participaria do “programa do Fazio no domingo”: “Irei no próximo”.   

A cantora recordou ainda um verão difícil, passado em hospitais devido a problemas cardíacos. Durante a conversa, Porro recomendou que ela assistisse ao filme “Il sentiero azzurro”, comparando-o à obra “I viaggiatore della sera”, protagonizada por Vanoni anos atrás.   

“Claro que me lembro. Vou assistir. Foi uma ótima ideia e não mudou muito a conversa sobre a velhice”, respondeu a artista.   

Após a morte de Vanoni, a senadora vitalícia Liliana Segre também quis homenagear a cantora italiana com uma mensagem entregue na casa de sua amiga por um carabineiro de sua escolta.   

Em artigo publicado em dezembro passado no jornal “La Repubblica”, Segre já havia descrito Vanoni como uma mulher “livre”, de “mente aberta” e que “não tem medo de dizer a verdade”.   

Considerada uma das vozes mais lendárias da música do “Belpaese”, Vanoni permaneceu na cena por quase 70 anos, com sua personalidade pirotécnica, classe de artista e uma carreira rica de sucessos. Seu velório terminou nesta segunda-feira (24) no Piccolo Teatro Grassi, histórica casa de espetáculos de Milão que marcou a primeira fase de sua trajetória artística. (ANSA).