A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, exigiu que onze estátuas de confederados que se opunham ao fim da escravidão sejam removidas do Capitólio em um momento de intenso debate após a morte de um cidadão negro pela polícia.
“Os monumentos de homens que defenderam a crueldade e a barbárie para alcançar um fim puramente racista são uma afronta grotesca aos ideais” americanos de democracia e liberdade, argumentou a líder da maioria democrata em carta a uma comissão bipartidária nesta quarta-feira (10).
Pelosi afirmou que as estátuas devem ser retiradas, já que constituem uma homenagem ao “ódio e não ao patrimônio” do país.
Algumas das representações dos líderes que promoveram uma frustrada secessão do sul dos Estados Unidos estão em locais proeminentes do Capitólio, como a galeria das estátuas.
A morte de George Floyd, em 25 de maio, gerou um debate profundo nos Estados Unidos com relação às desigualdades que a população negra sofre e os símbolos da Confederação – extinta após a Guerra Civil, em 1865 – estão dentro deste debate.
O presidente republicano Donald Trump se opõe a que as bases militares que homenageiam heróis confederados sejam renomeadas, em um momento em que estados como o da Virgínia prometeram retirar uma estátua do líder da Confederação, depois que este e outros monumentos foram vandalizados no país.
O mundo da cultura e do esporte também deram eco às reivindicações antirracistas e contra símbolos sulistas associados ao passado escravagista.
O clássico de Hollywood “E o vento levou” – ambientada na Guerra da Secessão da perspectiva de uma família de escravagistas – foi retirado da plataforma HBO Max e será reposto com o acréscimo de uma reflexão sobre seu contexto histórico, sem alterar o filme.
A Nascar, circuito de corrida de automóveis de série, anunciou que vai proibir a bandeira confederada em suas instalações.